domingo, 30 de junho de 2013

Aracruz Celulose " Fibria" continua aniquilando Barra do Riacho e seus rios.

A Aracruz Celulose/ Fibria em Barra do Riacho

Desde a inauguração da Aracruz Celulose, com o passar dos anos e com a construção de novas unidades fabris, a empresa precisou aumentar seu consumo de água e de terras para plantar o eucalipto. Quanto mais ela expande sua capacidade produtiva de celulose branqueada de eucalipto, mais água ela necessita. Hoje existem no município de Aracruz, em Barra do Riacho, três fábricas: a Fábrica A, inaugurada em 1978; a Fábrica B, em 1991 e a Fábrica C, em 2002. Esta última acentuou ainda mais os impactos socioambientais na região, especialmente no que diz respeito ao consumo exacerbado de água, que interferiu ainda mais na vida dos pescadores através de desvio de água do rio Riacho e construção do canal caboclo Bernardo, direcionando-a para os reservatórios. Além disso, os rejeitos industriais são outro problema para a comunidade em geral de Barra do Riacho.
A fim de contextualizar o processo de implantação da monocultura de eucalipto com fins industriais para produção de celulose no Espírito Santo.
Observa-se que aproximadamente 30% da floresta nativa Foi  substituída pelo monocultivo do eucalipto.
 IBGE constatou que dos 66,3% do território capixaba cobertos por floresta nativa no ano de 1950, restaram somente 8,5% em 1970. Percebemos então como a Aracruz Celulose contribuiu para o desmatamento das matas nativas, abrindo então caminhos para a expansão da monocultura de eucalipto.
“(...) A mesma atua compactuada com lideranças de instituições locais, capitaneadas pelo seu capital econômico nos eventos das mesmas e não deixa passar a oportunidade de fazer seu Marketing na entrega de mudas de árvores pra mascarar seus crimes supracitados”, Tavares.

Poucos em nossa comunidade sabem como foi o início e com quais recursos a Aracruz Celulose “Fibria” começou a nos matar a cada dia. Em 1978, a fábrica de celulose é inaugurada no estado, em Barra do Riacho, Aracruz, após negociações entre o grupo norueguês Lorentzen, Jaakko Poyry da Finlândia e Billerud-A.B. da Suécia durante a
Ditadura Militar no Governo Geisel (que esteve pessoalmente na inauguração), promovendo um financiamento de 337 milhões pelo BNDE do total de US$536 milhões do empreendimento (FASE, 2006). Na época, esse foi o maior financiamento já concedido pelo banco estatal para um único empreendimento industrial privado.
Além de afetar negativamente a Mata Atlântica através dos desmatamentos e de impactar os rios e córregos da bacia hidrográfica, a fábrica impactou a vida de milhares de indígenas que viviam na região. Aliás, a aldeia de Macacos foi completamente destruída para dar lugar à fábrica da Aracruz Celulose, ou seja, foi expulsa de seu território pela ordem hegemônica que propiciava a presença da indústria. A água sempre foi, desde o início da operação, um elemento fundamental para a execução do processamento industrial da celulose. Falar da fábrica sem se referir ao consumo exagerado de água não é possível, pois essa é a base da produção. Segundo estudos da FASE (2006), em relação às obras de abastecimento de água para a empresa, essa era uma das etapas que estavam mais adiantadas no período da inauguração de 1978, através da canalização e desvios dos rios e córregos da bacia do rio Riacho. Entretanto os relatórios da Administração da Aracruz Celulose quase nada abordavam sobre o assunto ou sobre os conflitos gerados na região e na bacia hidrográfica do Rio Riacho.
O crescimento urbano desordenado e os conflitos sociais passaram estar presente em Aracruz, principalmente em Barra do Riacho, devido à implantação do complexo fabril, vindo a residir no local várias pessoas de diversos lugares com intuito de trabalhar temporariamente para a Aracruz Celulose, em sua grande maioria homens.
Antes do começo da construção da Aracruz Celulose, viviam em Barra do Riacho cerca de 2.000 pessoas. Com o início das obras a população saltou para mais 10.000 pessoas, atraídas na época para compor o quadro de mão de obra da fábrica (FASE, 2006). Segundo dados da empresa, no auge da obra eram 13.996 trabalhadores, incluindo os “peões” de várias partes do país, trabalhadores e técnicos estrangeiros (idem, ibidem). A partir daí, a dinâmica local passa a ter novos elementos, devido ao grande contingente de pessoas, gerando uma urbanização desordenada e hierárquica, trazendo então novas formas de relações, violência e prostituição (uma vez que a presença de trabalhadores homens era bem expressiva).
De acordo com Coutinho,
Em sua urbanização sociopática, Barra do Riacho viu-se forçada a viver uma ‘revolução sexual’, conhecendo estupros, seduções e ataques as casas familiares pobres da periferia por bandos de 10 a 20 homens. Para evitar isso, logo teve que aceitar a instalação de casas de prostituição nos limites do povoado(...) outra consequência foi a chegada de drogas e traficantes, a violência civil e policial, além de assassinatos e agressões variadas (2000, p. 317).
O Portocel é gerenciado a partir da parceria da Fibria (51%) com Cenibra (49%). Ele possui uma estrutura com 500.000m², composta por armazéns, prédio de administração, tanque de abastecimento dos rebocadores, berços de atracação de navios, dolfin de amarração de barcaças e terminal de barcaças (RIMA, Portocel II, p3, 2007). Existe também uma linha férrea, conectada à ferrovia Vitória-Minas, por onde são movimentadas cargas de empresas localizadas em Minas Gerais.
Figura Autoridades no lançamento de frotas de navios.


Com o porto, o acesso à praia foi dificultado para os moradores e visitantes, tendo a passagem por automóveis fechada. A praia da Barra, na foz do Riacho, também possuía outro nome, era chamada de Praia das Conchas e era bastante frequentada, pois não tinha tanta poluição como atualmente.
Em nosso entendimento é muito contraditório, uma empresa que tanto degrada o meio em que vivemos dizer que vem reparando seus erros com a comunidade, dar mudas de plantas, pra um lugar que nem tem mais a onde plantar as arvorezinhas graças a própria empresas que nos cercou e que nos oprime. O pior é ver pessoas sendo enganadas por lideranças capitadas  em um grupo formado pela Aracruz Celulose, “Engajamento”, a onde se apropria dos projetos das instituições locais, lançam a logomarca da empresa e aniquila a instituição. Exemplos os mutirões, vem à mídia marrom, autoridades eleitoreiras, lideranças de ternos e gravatas de sapatos bem engraxados pra participarem de um mutirão, é obvio que de fato os únicos a participarem efetivamente do trabalho braçal dessa atividade é o pobre de pé descalço que colocará seus pés e mãos no lixo que esta as margens dos rios das vias enquanto os reais responsáveis pela poluição estão na primeira fila do evento, compactuando ou mesmo que contribuindo para tal impacto ou fazendo de que nada sabem como bobos da corte.
Com a maioria das instituições alienadas ao seu sistema a fábrica de celulose vai maquiando uma responsabilidade ambiental com um cheque em branco dado por entidades que representa a maioria dos impactados, a empresa usufruí de outros artifícios publicitários, além de obter títulos e prêmios de “responsabilidades ambientais” (Selos Verdes), apesar de violar vários direitos sociais / humanos e de destruir boa parte da floresta atlântica do estado desde a década de 1960. Muitos camponeses, indígenas, quilombolas, trabalhadores diversos e pescadores foram muito prejudicados, sofreram sérias implicações em seus territórios, além da concentração fundiária da empresa, causaram então pressão aos órgãos públicos com o apoio de Organizações não governamentais (Ongs) e igrejas.


De acordo com (FASE),
Mesmo com tamanha devastação de diferentes categorias, a primeira multa da história da empresa foi feita somente em 24 de março de 1991 pela Secretaria Estadual de Meio Ambiente, sendo posteriormente multada alguns meses depois por lançar clandestinamente efluentes industriais sem o menor tratamento no córrego do Engenho, sendo esse despejo de rejeito feito de forma clandestina.
Com o passar dos anos, em meio a década de 1990, a Aracruz Celulose conseguiu apoios políticos locais e regionais de maneira a continuar sua racionalidade mercantil-industrial através de financiamento de campanhas eleitoreiras em todos os âmbitos políticos, participando de fóruns e espaços “educativos-ambientais”, elaborando projetos e pesquisas em conjuntos com entidades particulares e até mesmo com a UFES. “jogo de favores e trocas políticas” estava acordado, visto bem nos dias atuais explicitamente e mais fortes em Barra do Riacho.  Já é comum no cotidiano da pesca artesanal, entretanto para a lógica da racionalidade empresarial esses são inviabilizados ou mesmo categorizados como “resíduos tratados” que estão dentro dos padrões exigidos pelos órgãos fiscalizadores. Isso é um problema semelhante aos de licenciamento ambiental. Tira-se as licenças e paga-se para poluir. Ou ainda, se estabelece padrões aceitáveis de poluição, admitindo que o que basta são ajustes técnicos sem se discutir o modelo como um todo. Um fato que ocorreu em 1997, de acordo com a FASE (2006), foi o vazamento de 20000 litros de um licor negro contendo soda cáustica e sulfeto de sódio que deixou no mar uma coloração negra que matou milhares de peixes e camarão. A pesca nesse período ficou comprometida e a Aracruz Celulose não tomou nenhuma providência ou foi penalizada pelo descarte inadequado do produto químico


De acordo a Federação de Pesca do Espírito Santo,
 Que se posicionou em janeiro de 2010 contra os novos projetos, devido aos vários problemas que serão gerados para a pesca e o ambiente, como a supressão da faixa de vegetação litorânea (degradação da fauna e flora da restinga), aniquilamento de uma estrutura rochosa constituída por concreções limoníticas, que é um ponto de reprodução de espécies endêmicas e é frequentada pelo camarão rosa, polvos e várias espécies de peixes; além de ser um dos pontos de alimentação das tartarugas ameaçadas de extinção das espécies: tartaruga-de-pente, tartarugacabeçuda, tartaruga-verde, tartaruga-de-couro entre outras. Na ocasião os pescadores fizeram a denúncia e protocolaram um documento junto ao IEMA e ao IBAMA.

Dona Margarete, em entrevista realizada em 22/01/2012, “Barra do Riacho é um lugar esquecido pelo Estado, aqui quem manda é as empresas” (VIEIRA,2012, p.61)
Estudos Técnicos:

A atividade de produção de celulose, como já foi comprovado em diversos estudos acadêmicos e científicos, consome uma enorme quantidade de água, aproximadamente 248000 m³ por dia (FASE, 2006, p.24). Com a efetivação operacional das atividades da terceira fábrica da Aracruz Celulose, esta providenciou anteriormente, numa parceria conjunta com as prefeituras municipais de Aracruz e de Linhares, um plano para seu autoabastecimento Para maior conhecimento ler relatório da AGB: Impactos da apropriação dos recursos hídricos pela Aracruz Celulose nas terras indígenas Guarani e Tupinikim – ES. 2004; H2O para celulose X água para todas as línguas – o conflito ambiental no entorno da Aracruz Celulose S/A – Fase, 2006; Aracruz Credo: 40 anos de violação e resistência no ES- Vitoria. Rede Brasil de instituições financeiras multilaterais, 2011; entre outros inúmeros materiais como os produzidos pela Rede Alerta Contra o Deserto Verde. Denominado de Projeto de Aumento da Disponibilidade Hídrica nas Várzeas do Riacho nos Municípios de Aracruz e Linhares.
A estiagem no norte do estado estava intensa nos anos anteriores a construção do canal. O próprio desmatamento em larga escala contribuiu para esse fato. A média de precipitação pluviométrica dos anos de 1996 (1364mmm), 1997 (900mm), 1998 (886) e 1999 (1288mm) estavam abaixo da média dos últimos 20 anos (REBELLO, 2006, p.41) e essa era uma preocupação para a empresa.
Como as águas da bacia do Rio Riacho não seriam suficientes para o abastecimento da ampliação de sua capacidade produtiva (Fábrica C), a empresa recorreu a uma estratégia que transpunha águas de uma bacia hidrográfica Federal, águas do Rio Doce, canalizando em direção ao Rio Riacho. O Rio Doce nasce no estado de Minas Gerais e possui 944 km de extensão, desaguando entre Regência e Povoação, em Linhares (IEMA, 2010).
Foi no ano de 1999 que a empresa abriu um canal no Rio Doce, mais especificamente na fazenda Monterrey, município de Linhares, chamado de “Canal Caboclo Bernardo”31 (19 30’ 08.65’’S; 39 54’38.89” O) que leva água através dos antigos canais do Departamento Nacional de Obras Contra a Seca(DNOCS32), desaguando no Rio Comboios (que era livre de poluição) e no Rio Riacho, até as represas que abastecem a fábrica. Essa engenharia produziu inclusive a inversão de alguns cursos d’água que passaram a “subir” através de bombeamento até a água chegar as represas. Esse canal está construído a cerca de 22 km da foz do Rio Doce possuindo, a alguns metros depois do canal, uma estação com três comportas que pode regular a quantidade de água percorrida. Para evitar possíveis erosões, já que a mata ciliar foi suprimida, a empresa instalou nas duas margens do canal, barras de ferro.  O nome do canal foi apropriado da figura cultural de um nativo pescador (ironicamente) chamado Caboclo   Bernardo Jose Santos do povoado de Regência, em Linhares, que conseguiu junto com outros moradores, salvar centenas de tripulantes de um navio imperial marinheiro que naufragava no mar no ano de 1887.
Os canais do DNOCS haviam sido construídos na década de 1960. Após sua desativação, o mesmo foi recuperado e apropriado, objetivando atender a demanda de água do complexo de celulose. Cabe ressaltar que um trecho de aproximadamente 15 km do Rio Riacho foi também canalizado pelo DNOCS.presas a cordas de aço, precavendo-se de possíveis deslizes de terra que poderiam afetar a quantidade de água que seria necessária para seu consumo industrial.
Segundo Rebello (2006), após as três comportas, a água flui até o canal Bananal do Sul (construído pelo DNOCS em 1972) e deságua no Rio Comboios, e outra parte é direcionada ao canal C3, que deságua na confluência do canal C4 e C5 (construído pelo DNOCS em 1970) com o Rio Riacho.


Figura Compotas
Esquema 1- Apropriação da água através do Canal Caboclo BernardoFonte: Vilarinho (2005, p.17) apud Maracci (2010, p. 15)
Em outras palavras podemos afirmar que houve então uma transposição de bacias hidrográficas, levando águas do Rio Doce que juridicamente pertence à União aos Rios Comboios e Riacho que pertencem ao Estado, alterando o comportamento hídrico da região, de acordo com os estudos da AGB (2004).
Segundo Maracci (2010), os canais do DNOCS foram construídos com o objetivo de drenar água das áreas pantanosas, direcionando os fluxos hídricos ao Rio Riacho, tendo como objetivo final a ampliação da área agrícola e da pecuária bovina. Esses canais foram responsáveis por secar áreas de várzea, alagados e lagoas que eram ecossistemas riquíssimos. Além de alterar a dinâmica hídrica, prejudicaram as comunidades que utilizavam esses ambientes com práticas agrícolas e de pesca.
Hoje, o mesmo é reaproveitado principalmente para atender a demanda de água da fábrica. Toda a água flui apenas por gravidade no percurso corrido nos canais; o que foi preciso fazer foi apenas a manutenção recuperativa dos mesmos. Para tal feito, não foi elaborado nenhum EIA/RIMA, conforme determina a Resolução do Conama (n° 001 de 23.01.86, artigo II, parágrafo 8) e a população da região, incluindo os pescadores, não foi consultada ferindo 68também a lei estadual de Meio Ambiente em sua seção IV, artigo 187 que diz que as comunidades locais impactadas devem ser consultadas. A obra foi realizada com autorização da Secretaria para Assuntos de Meio Ambiente (SEAMA), solicitada pelo município de Aracruz.
Industrial da Aracruz Celulose
Fonte: Maracci (2010)70
Oficialmente para a apreciação da SEAMA, a iniciativa da construção do canal foi da prefeitura de Aracruz que apresentou somente uma Declaração de impacto Ambiental (ao invés do EIA/RIMA). Com isso, através do advogado da OAB Sebastião Ribeiro, foi concluído que o suposto licenciamento estava repleto de irregularidades ferindo os princípios de legalidade ambiental conforme discutido também na CPI da Aracruz em 2002. A situação, com as obras, se agravou, como nos conta um pescador, “os peixes vão diminuindo no mar e se extinguindo no rio, águas para as represas particulares se vão ao mesmo tempo que falta água para desaguar na boca da barra (foz do rio Riacho)” (depoimento de um pescador realizado em 28/03/12).Essa transposição foi objeto de conflito também entre a empresa e a aldeia indígena Tupinikim de Comboios, uma vez que o rio, antes da construção do canal, era fonte de fartura alimentar principalmente de peixes e camarão. A adução de águas do Rio Doce causou outros transtornos à população indígena, como o alagamento das antigas margens do rio, dificultando a mobilidade dos barcos.
A redução do pescado foi sentida, reduziu-se a presença no rio de camarão Pitú e de peixes como o Robalo, Traíra, Crumatá e Tucunaré. O entorno do rio, que era composto de várzea, brejos e pântanos que faziam parte da dinâmica da agricultura dos indígenas, foi afetado devido à vazão de água, comprometendo sua produção de alimentos. De acordo com o relatório da AGB (2004), antes da construção do canal era possível beber, pescar e tomar banho, bem como realizar outros afazeres no Rio Comboios. Hoje, a qualidade já não é a mesma. O robalo é um peixe de água salgada, entretanto se procria em água doce de rios e manguezais.
Após mais de uma década da construção do Canal Caboclo Bernardo,através da decisão do Juiz da 4ª Vara Federal Cível do Espírito Santo, Dr.Francisco de Assis Basílio de Moraes, publicada em 14/07/11 no Diário Oficial, a ex-Aracruz Celulose - atual Fibria - e o município de Aracruz foram condenados por não realizarem EIA/RIMA quando fizeram a transposição de águas do Rio Doce para a bacia do Rio Riacho. De acordo com a Ação Civil n°6001 - Registro NR. 000270/2011. III, o prazo para realização do EIA/RIMA é de seis meses sob pena de multa diária e solidária que varia de R$ 10.000,00 até o montante de R$ 100.000.000,00. A Fibria terá de arcar com todos os custos para a confecção do EIA/RIMA e juntamente com o município de Aracruz, terão obrigação de elaborar, de maneira contínua, a canalização das águas do Rio Doce para os Sistemas de Abastecimento Público dos distritos de Vila do Riacho e Barra do Riacho e da limpeza dos antigos canais do DNOCS para aumento da disponibilidade hídrica nas várzeas do Rio Riacho. O prazo já venceu e até o momento nenhum estudo ou medida foram feitas. No ano 2002, o Ministério Público Federal (MPF) analisou o processo de transposição das águas do Rio Doce para o Rio Riacho, apontando então várias irregularidades nas licenças ambientais de localização e instalação, concedidas pela SEAMA, mas na ocasião a empresa não foi condenada, ficando arquivado o processo.
Nessa última ação movida pelo MPF, a Fibria entrou com um recurso justificando que não havia danos comprovadamente provocados pelo Canal Caboclo Bernardo na bacia do Rio Riacho, que justificasse a elaboração de EIA/RIMA. O Tribunal Regional Federal decretou uma sentença que suspendeu a obrigação da elaboração do EIA/Rima, após pedido da empresa, com isso, atualmente o processo encontra-se pendente.
Atualmente, a Fibria não paga nenhum centavo para captar água do Rio Doce, para seu benefício (AGB, 2004). De acordo com o Plano Nacional de Recursos Hídricos, compete a Agência Nacional das Águas (por se tratar de uma bacia hidrográfica de domínio da União) esse papel através da política da outorga da água. Segundo o Ministério do Meio Ambiente.
A outorga tem o objetivo de assegurar o controle quantitativo e qualitativo dos usos da água, superficiais ou subterrâneas, e o efetivo exercício dos direitos de acesso à água. É o ato administrativo pelo qual o poder outorgante concede ao outorgado o direito de uso do recurso hídrico por prazo determinado e conforme os termos e as condições expressas no ato (2006, p.29).
Nota-se então que a Fibria não cumpre com a legislação brasileira, pois de acordo com a Lei n° 9433/97, Seção III, ela deveria pagar pela captação diária de água do Canal Caboclo Bernardo, desde a sua abertura em 1999.
Veja abaixo a legislação:
Artigo 12. Estão sujeitos a outorga pelo Poder Público os direitos dos seguintes usos de recursos hídricos:
I – Derivação ou captação de parcela da água existente em um corpo de água para consumo final, inclusive abastecimento público, ou insumo de processo produtivo (grifo nosso).
A empresa questiona que não utiliza toda a água captada, por isso nunca pagou nada e não pretende pagar pela vazão que entra no canal, que segundo ela é utilizada pelas fazendas da região e pelas comunidades no entorno. Em 2010, todos os usuários da Bacia do Rio Doce foram cadastrados pela Agência Nacional das Águas (ANA) e pelo IEMA, tendo como objetivo racionalizar água, incentivando a investir na proteção dos mananciais. Essa cobrança é justificada para aplicar medidas e recursos na política de preservação da bacia em Minas e no Espírito Santo, área de abrangência totada mesma. Entretanto, alguns conflitos emergem em torno desta medida entre a empresa e os órgãos responsáveis. Não se sabe quando vai ser firmado algum acordo, provavelmente pelo amplo poder político que a Fibria possui.(VIEIRA, Henrique, 5.3.1 a 5.3.2 )
O discurso da sustentabilidade que tanto se houve falar atualmente, nada mais é que a sustentabilidade econômica (e não ambiental) dos projeto e empreendimentos capitalistas em vigor e os que estão para ser construídos.
O discurso do verde de preservação é um tipo de jogada de marketing e funciona como bula para as empresas. O resultado disso é a destruição.
 No dia 10 de outubro de 2008 a ASPEBR realizou um protesto, indignada com a situação degradante em que se encontra a pesca e também pelo total assoreamento da Boca da Barra que durou alguns meses. Cerca de 90 pessoas estiveram presentes no ato que impediu o acesso das carretas de celulose ao Portocel. O grupo do OCCa, Projeto de Extensão do Departamento de Geografia da Ufes, do qual o autor fazia parte, esteve presente, realizando algumas filmagens e dialogando com os pescadores, procurando entender a relação conflituosa existente.



quarta-feira, 21 de março de 2012

“Fibria doa viatura à polícia para tentar 

silenciar comunidade em Barra do Riacho” Flavia Bernardes
“A doação de uma viatura à Polícia Militar pela Aracruz Celulose (Fibria), nesta quinta-feira (15), em Barra do Riacho, município de Aracruz, foi marcada por uma forte reação da comunidade pesqueira da região. Segundo os pescadores, a empresa ocupou a área de pesca, represou, assoreou e agora quer ocupar a única praia da região com a expansão do Portocel II.
Segundo os pescadores, a doação da empresa faz parte do projeto “Engajamento da Barra do Riacho”, mantido pela empresa, na tentativa de calar a população sobre os impactos que serão gerados na região da Praia da Conchinha, onde a empresa quer ampliar o seu porto.
“Nós não aceitamos esmolas. Sabemos que a intenção deste ato é a de tapar os ouvidos do poder público para as reclamações dos moradores e pescadores da região. Uma vez que o Rio Riacho está altamente degradado por suas atividades. A Aracruz quer ocupar a praia e sabe bem os impactos que isso irá gerar”,
disse Sebastião Buteri,
presidente da Associação de Pescadores da Barra do Riacho. 

Os pescadores explicam que a região da Barra do Riacho está sendo tomada por grandes empreendimentos. “Primeiro a Aracruz Celulose roubou água, assoreando o rio; em seguida, o Portocel I criou uma área onde não podemos navegar, pois é intenso o tráfego de embarcações na região. Depois veio a Jurong com seu estaleiro em área de relevante importância ambiental e agora a Aracruz, novamente, querendo ocupar também a Praia da Conchinha, única área de lazer natural da região e refúgio dos barcos de pescadores”.  

Com carro de som e cartazes, os pescadores chamaram a atenção durante a solenidade de entrega da viatura à PM ao alertarem para o perigo gerado pelo assoreamento do rio, que impede os pescadores de saírem para o mar.  E, mesmo pedindo força policial, representantes da Fibria foram obrigados a ouvir, que além do rio, o ar e a terra da região também foram poluídos devido ao descaso da empresa com os moradores da região.

Os pescadores sofrem há dez anos com a subtração de água do Rio Riacho, que é desviada pela Aracruz Celulose para abastecer suas indústrias, deixando os pescadores até 30 dias sem poderem sair com os seus barcos para o mar.  

Com um histórico de sofrimento com os impactos ambientais na região, eles reclamam que as indústrias se instalam sem diálogo e vão oprimindo as comunidades tradicionais a qualquer custo.”



Figura foto: festa dos pescadores

Quanto custa vender a própria pátria?

Pergunta que não quer calar, pois bem, Pescadores, Moradores, Alunos, Idosos, Jovens, Homens, Mulheres, Desempregados, Desalojados, Moradores da Beira Rio, Usuários da Quadra de Esportiva de Barra do Riacho, Escolas, Pré Escola, Creche, Comerciantes, Igrejas, banhistas do rio Riacho e da praia e outros a pergunta é a seguinte, qual a mudança pra melhor que a Aracruz Celulose “Fibria” fez em sua vida?

O que mudou em sua vida com os últimos eventos promovidos pela Aracruz Celulose “Fibria” e entidades capitaneadas?

 As poucas esmolas pagas, as instituições, paga ou extingue todos os crimes causado pela empresa em nossa comunidade e adjacências?
Quem de fato ganha com estes eventos que maquia a Aracruz Celulose “Fibria” como defensora e salvadora da Pátria?

Por que em determinados momentos entidades são contras os grandes poluidores em outros são tão a favor quanto, por tão pouco ou quase nada?

 Se a Aracruz Celulose “Fibria” esta realmente preocupada com a vida do rio Riacho, por que a mesma não despolui todo rio com seus próprios recursos já que não paga nenhuma gota d’água que capita do rio de acordo com o Art. 12, legislação supracita?



Rio Riacho em Barra do Riacho pede socorro

A imagem é preocupante. O Rio Riacho em Barra do Riacho - Aracruz está uma situação complicada. Vem sofrendo diversos impactos ambientais decorrentes da ação antrópica, como a implantação de indústrias  e principalmente, lançamento de efluentes sem tratamento nas margens do Rio, responsáveis pela poluição orgânica e de metais pesados das águas. Nossa comunidade quer mobilização das autoridades e empresas locais para um Projeto de revitalização e conscientização da população a respeito do problema.


 A Região hidrográfica do rio Riacho apresenta uma área de aproximadamente 2.136 km². As bacias componentes da região hidrográfica são as seguintes: córrego Biririca, rio Laranjeiras, rio Piraquê-açu, córrego Sauê, córrego Barra do Sahi, córrego Piranema e rio Riacho. As duas maiores bacias são as dos rios Riacho e Piraquê-açu. O rio Riacho é um corpo hídrico formado pela Lagoa do Aguiar, que tem dentre seus tributários os seguintes cursos de água: córrego Quartil, rio do Norte, córrego são José, córrego Guaximba e córrego do Índio


  Em Barra do Riacho situa-se a maior bacia pesqueira do município, onde encontra-se peixes nobres como o dourado, o namorado e o marlin além de camarões sete barbas e lagostas. Devido ao desmatamento das matas ciliares e da consequente ocorrência de assoreamento dos cursos de água, as comunidades situadas na foz do rio Riacho estão sujeitas a sérios riscos de enchentes com prejuízo inclusive para a colônia de pescadores existente.




Cristiano Alvarenga


Cristiano Alvarenga


Cristiano Alvarenga
http://barradoriachonews.blogspot.com.br/2013/01/rio-riacho-em-barra-do-riacho-pede.html



Conclusão Final:

Quem anda lado a lado com os predadores, predadores são! Quem Promove Poluidores, Poluidores São!
Comunidade e Categorias Organizadas não permita que sejam massas de manobras de Vale Brindes "Ecológicos".

Referências,




VIEIRA
 , Luiz Henrique, 
OS IMPACTOS SOCIOAMBIENTAIS DOS EMPREENDIMENTOS 
INDUSTRIAIS NA COMUNIDADE DE PESCADORES ARTESANAIS DE 
BARRA DO RIACHO - ARACRUZ-ES

barradoriachonews.blogspot.com.br

obarrense.blogspot.com.br

www.seculodiario.com

                                                              ARACRUZ, BARRA DO RIACHO, 30/06/2013


Aracruz Celulose "Fibria", Não nos Representa.
ONG AMIGOS DA BARRA DO RIACHO

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