segunda-feira, 13 de outubro de 2014

PSB Nacional elege Executiva e o nome de Casagrande continua com prestigio na sigla mesmo tendo perdido a eleição para governador.

BRASÍLIA - Órfãos do ex-governador Eduardo Campos, morto há dois meses, os dirigentes do PSB reúnem nesta segunda-feira o Diretório Nacional para eleger nova Executiva e tentar cicatrizar fissuras abertas desde que a sigla perdeu seu maior líder. A disputa interna se acirrou quando o presidente interino, Roberto Amaral, tentou direcionar o apoio da legenda à reeleição da presidente Dilma Rousseff (PT). Mas, com forte influência da família Campos, o partido optou por Aécio Neves (PSDB).
Não haverá disputa. Com o consenso da ala pernambucana do PSB, foi fechada no domingo uma chapa de consenso para tirar Amaral do comando. O presidente será o secretário-geral, Carlos Siqueira, histórico braço- direito de Campos. Siqueira teve um atrito forte com Marina Silva e foi afastado da coordenação geral de sua campanha à Presidência. Agora, votou pelo apoio a Aécio. O primeiro vice será o governador eleito de Pernambuco, Paulo Câmara, outro nome da família Campos. O secretário- geral será o governador Renato Casagrande (ES). O tesoureiro continuará sendo o vice-governador eleito de São Paulo, Márcio França. O ex-vice de Marina, o deputado Beto Albuquerque (RS), será o segundo vice-presidente, e o deputado Júlio Delgado (MG) deverá ser outro vice ou segundo secretário geral.

Em outro trecho, Amaral afirma que “ao aliar-se acriticamente à candidatura Aécio Neves, o bloco que hoje controla o partido, porém, renega compromissos programáticos e estatutários, suspende o debate sobre o futuro do Brasil, joga no lixo o legado de seus fundadores - entre os quais me incluo - e menospreza o árduo esforço de construção de uma resistência de esquerda, socialista e democrática".Depois de saber da consolidação de uma chapa única com Siqueira como substituto definitivo de Campos, Amaral publicou um artigo em seu blog. No texto, além de declarar apoio a Dilma, diz que o PSB traiu os ideais de Campos e cometeu “suicídio político-ideológico” ao se aliar ao “polo mais atrasado” da disputa. Ele insinuou que seus opositores na legenda já estão discutindo nomes e barganhando vagas em futuros ministérios e se rendendo “à disputa rastaquera dos que buscam sinecuras e recompensas nos desvãos do Estado”.


- De certa forma, acho que o Amaral expressa nessa sua declaração a falta de paixão que ele já mostrava ou deixava claro na pré-candidatura do Eduardo (Campos) e na candidatura minha e de Marina - disse Albuquerque, que acompanhou Marina Silva na declaração de apoio a Aécio.
*Colaborou Ronaldo DErcole


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quinta-feira, 2 de outubro de 2014

Dilma cresce na reta final, mas Marina deve ser a mais votada no Espírito Santo


A presidenciável do PSB se livra de ataques e tem 36% das intenções de voto; ex-ministra é seguida de perto por Dilma (30%), enquanto Aécio permanece estacionado em 21%
Nerter Samora
02/10/2014 16:51 - Atualizado em 02/10/2014 17:18

A presidente da República, Dilma Rousseff (PT), cresceu mais quatro pontos e aparece com 30% das intenções de voto na pesquisa Brand/Século Diário de outubro. Pelo segundo mês consecutivo, a candidata à reeleição reduz a distância para a ex-ministra Marina Silva (PSB) que, apesar dos ataques contra a sua candidatura, lidera a corrida presidencial no Espírito Santo com 36% das menções – um ponto percentual acima do registrado na última pesquisa. O presidenciável tucano Aécio Neves também oscilou positivamente dentro da margem de erro, ficando com 21% das menções estimuladas.



A pesquisa eleitoral revela ainda que o número de indecisos caiu para 7% ante 11%, registrado em setembro. O contingente de eleitores que declararam voto em branco ou nulo também registrou queda: de 6% para 4%. Os demais candidatos não chegaram a 2% dos votos, com destaque para Luciano Genro (PSOL), que registrou 1%. Pastor Everaldo (PSC), Eduardo Jorge (PV), Zé Maria (PSTU), Mauro Iasi (PCB) e Eymael (PSDC) não alcançaram um ponto percentual. Os candidatos Levy Fidelix (PRTB) e Rui Costa Pimenta (PCO) não foram citados.

A três dias das eleições, o cenário indica para a estabilização de Marina e Aécio, enquanto a presidente Dilma registra um leve crescimento entre os indecisos. Para o diretor do Instituto Brand, Lucas Margotto, a tendência é de que a decisão do voto siga a mesma proporção dos que já se decidiram. Com isso, Marina deve ser a candidata mais bem votada no Estado – alcançando entre 41% e 43% dos votos válidos, conforme as projeções dos estatísticos do instituto.

Sobre o levantamento mais recente, o especialista em gestão pública aponta que os sucessivos ataques sofridos pela socialista não surtiram o mesmo efeito, se comparados à última medição do instituto, no dia 19 de setembro. “Marina estabilizou sua margem de votos entre os eleitores mais jovens (de 16 até 34 anos), entre os mais escolarizados – com ensino médio, superior e pós-graduados. No segmento evangélico, a candidata alcança 48% das intenções de voto”, observou.

Enquanto isso, a presidente Dilma (PT) alcança seus melhores índices entre eleitores com idades entre 35/44 e mais de 60 anos, renda familiar de até R$ 724,00, ensino fundamental e entre os católicos. Já o presidenciável tucano Aécio Neves tem melhor desempenho entre eleitores mais escolarizados e de maior renda, e entre aqueles com 60 anos ou mais.

Apesar da recuperação de Dilma no levantamento, a petista segue com o maior índice de rejeição entre os eleitores capixabas – saltando de 29% para 31% das menções induzidas. Marina Silva agora é rejeitada por 12% dos eleitores ante 9% no levantamento anterior, enquanto 11% dos entrevistados afirmaram que não votariam nunca em Aécio Neves (o índice era de 10% em setembro). O número de eleitores que não rejeitam ninguém caiu de 23% para 21%, enquanto a rejeição aos demais candidatos chega a 23%.

Nas menções espontâneas, Marina Silva e Dilma Rousseff estão empatadas no limite da margem de erro. Desde o último levantamento, a distância entre as duas candidatas caiu de seis para cinco pontos percentuais. A candidata do PSB tem 32% das intenções de voto (ante 28% no mês anterior), enquanto a petista ficou com 27%, cinco pontos acima do registrado em setembro. Já o tucano Aécio Neves oscilou dentro da margem de erro – de 17% para 19%. O número de indecisos caiu de 22% para 17%. 

Casagrande cresce, Hartung bate no teto e disputa deve ir para o segundo turno


Segundo pesquisa Brand/Século Diário, a diferença entre os dois candidatos ao governo caiu para 6 pontos: Hartung tem 45% e Casagrande 39%
José Rabelo
02/10/2014 13:22 - Atualizado em 02/10/2014 17:14

A três dias das eleições, a última pesquisa Brand/Século Diário aponta para a possibilidade de segundo turno nas eleições para governador. Na menção estimulada, quando é apresentado ao eleitor os nomes dos candidatos a partir de uma cartela, Paulo Hartung (PMDB) aparece com 45% e Renato Casagrande (PSB) com 39% das intenções de votos. Roberto Carlos (PT) e Camila Valadão (PSOL) aparecem rigorosamente empatados com 3% cada; Mauro Ribeiro (PCB) não atingiu um ponto. 

 
Para o cientista político e articulista de Século Diário, Antônio Carlos de Medeiros, há um empate técnico entre as intenções de voto estimuladas do candidato do PMDB (45%) e as intenções de voto estimuladas de Renato Casagrande (39%), de Roberto Carlos (3%) e de Camila Valadão (3%), que, somadas, também chegam a 45%. “Pode-se afirmar, portanto, que há a possibilidade de segundo turno entre Hartung e Casagrande".
 
Segundo Medeiros, a pesquisa registra um quadro de estagnação nas intenções de voto para Hartung e um quadro de crescimento para Casagrande. 
 
Na menção espontânea, a análise do cientista político fica ainda mais evidente. Hartung passou de 36% para 38%, oscilando dentro da margem de erro da pesquisa, que é de 2,8% pontos percentuais para mais ou para menos, enquanto que Casagrandre teve um crescimento de seis pontos, passando de 28% para 34%. “Considerando que os indecisos diminuíram na menção espontânea, de 27% para 21%, pode-se afirmar que Renato Casagrande capturou, proporcionalmente, maior volume de votos consolidados do que Hartung”, afirmou Medeiros.
 
 
Já na menção estimulada, prossegue o cientista político, Hartung permaneceu estagnado no patamar de 45% das intenções de voto, enquanto Casagrande oscilou positivamente de 36% para 39%. Ele chama atenção para o fato de a diferença entre Hartung e Casagrande, que era de 9% na pesquisa anterior, ter caído para seis pontos. “A Pesquisa, portanto, registra, nas vésperas das eleições, uma tendência de crescimento de Renato Casagrande e uma tendência de estagnação de Paulo Hartung. Tendo em vista as duas curvas de oscilações, é possível que Hartung tenha atingido um teto e que Casagrande tenha mantido um potencial de crescimento que pode levar a disputa para o segundo turno”.
 
Na simulação de um segundo turno entre Paulo Hartung e Renato Casagrande, ambos registraram crescimento. O candidato do PMDB passou de 47% para 51% das intenções de voto, enquanto que o do PSB subiu de 38% para 42%. 
 
Paulo Hartung, destaca Medeiros, ainda mantém o favoritismo em caso de segundo turno contra Casagrande.
 
Votos consolidados X indecisos
 
A pesquisa Brand/Século Diário mediu o índice de consolidação de votos e a tendência dos votos dos indecisos. Quanto à consolidação de votos dos eleitores que declararam votar em Paulo Hartung, 18% afirmaram que ainda podem mudar o voto. O índice de consolidação representa 21% dos eleitores que se disseram votantes de Casagrande.
 
 
Nesta reta final da campanha, os candidatos continuam de olho nos votos dos indecisos, que são 7% na menção induzida e 21% na espontânea. 
 
“A permanência de significativa indecisão de 21% dos eleitores (espontânea), conjugada com o registro de significativo potencial de volatilidade e migração de votos nós últimos dias, sinaliza que os indecisos e os “infiéis” podem decidir as eleições na última hora e levar as eleições para governador para o segundo turno”, adverte Medeiros.
 
 
Quando o cientista político diz “infiéis, ele está se referindo aos eleitores que embora tenham declarado voto em um dos candidatos, admitem que ainda podem mudar de ideia na última hora. 
 
Diante da pergunta: “Caso você decida votar em alguém para governador (ou caso mude seu voto), qual destes candidatos teria maior chance de conquistar seu voto no dia das eleições?” — (incluem os indecisos e os eleitores que se disseram vulneráveis a mudar o voto até o dia 5 de outubro). Desse universo, 36% disseram que dariam seu voto para Hartung e outros 33% para Casagrande, mas 21% permanecem indecisos. 
 
 
Quando é feita a mesma pergunta somente para os indecisos da pesquisa induzida (7%), Hartung soma 23% e Casagrande 17%, mas o índice de eleitores que ainda não definiu o voto permanece muito alto: 55%.
 
Rejeição
 
Enquanto quase metade dos eleitores (45%) não se opõe a nenhum dos candidatos, Casagrande aparece com 13% de rejeição, contra 11% de Hartung e 10% para Camila e Roberto Carlos. O clima mais tenso das campanhas nas duas últimas semanas e as denúncias contra o ex-governador podem ter puxado a rejeição de Hartung para cima. 
 
 
O candidato do PMDB aparece tecnicamente empatado com o governador, que geralmente tem rejeição mais alta que seus adversários, justamente por estar à frente do governo. Quanto a Camila, a defesa mais aberta de algumas posições consideradas polêmicas pelo eleitorado mais conservador pode ter colaborado para aumentar a rejeição da candidata do PSOL; Roberto Carlos segue patinando na campanha, sem propostas claras. Ele também passou a defender mais incisivamente o governo da presidente Dilma. Fatores que podem ter aumentado sua rejeição.
 
 
Metodologia
 
Foram entrevistados 1.206 eleitores com 16 anos ou mais, em 83 pontos de afluência distribuídos por 18 municípios em quatro regiões de coleta, entre os dias 29 de setembro e 1° de outubro. A margem de erro é de 2,8 pontos percentuais para mais ou para menos, com um intervalo de confiança de 95%. A estatística Lucia Helena Sagrillo (reg. prof. 8451, CONRE-2) responde pela amostra. A supervisão de campo e conferência interna coube ao diretor da BRAND, Lucas Margotto. Os dados estatísticos são apresentados na forma de números absolutos, sem casas decimais, seguindo o padrão dos principais institutos de pesquisa do país. A pesquisa está registrada na Justiça Eleitoral sob o número de protocolo BR-00929/2014

Candidato do PSOL denuncia acesso antecipado de Hartung a processo no TRE-E


André Moreira avaliou que a atitude do ex-governador expõs as instituições e colocou julgamento de ação em xeque

01/10/2014 16:34 - Atualizado em 02/10/2014 15:36

Durante o debate entre os candidatos ao governo, realizado pela TV Gazeta na noite dessa terça-feira (30), o ex-governador Paulo Hartung (PMDB) voltou a se esquivar da acusação de omissão de bens na declaração entregue à Justiça Eleitoral. No entanto, uma fala do peemedebista chamou a atenção dos telespectadores ao antecipar uma eventual rejeição de uma ação de investigação movida pelo PSOL, que havia sido protocolada no final da tarde desta segunda-feira (29).

Apesar de a denúncia não ter sequer sido encaminhada ao relator designado no Tribunal Regional Eleitoral (TRE-ES), o ex-governador afirmou durante o debate que teve acesso ao documento e classificou que a “ação era até equivocada do ponto de vista jurídico”. Esse fato estranho levou o candidato do PSOL ao Senado, André Moreira, um dos autores da ação, a declarar nas redes sociais a sua estranheza com as declarações do ex-governador.

Em entrevista à Século Diário, o advogado declarou que nenhuma pessoa ou advogado teve acesso aos autos, de acordo com as informações extraídas do sistema processual da Justiça Eleitoral. André Moreira destacou que o processo só foi recebido no gabinete do magistrado às 12h29 desta quarta-feira (1º), sendo que não houve qualquer registro de vistas desde o protocolo – às 18h15 da última segunda-feira (29).

Na avaliação de André Moreira, o ex-governador Paulo Hartung expôs as instituições e colocou todo o tribunal em suspeição. “Se o relator do processo [desembargador Sérgio Luiz Teixeira Gama, vice-presidente e corregedor do TRE-ES] não for muito técnico em sua decisão, fica claro de que houve interferência do candidato”, avaliou.

O candidato do PSOL ainda completou: “Esse não é um processo de agora, mas vem desde o momento em que ele construiu o projeto de unanimidade, de uma sociedade com um lado só, que teve ainda a cooptação do Judiciário, Ministério Público, Assembleia Legislativa e da própria Ordem dos Advogados do Brasil (OAB)”.

Ele reforçou que o candidato do PMDB ao governo deve prestar esclarecimentos à sociedade. “Hartung tem que explicar os R$ 36 milhões em bens da empresa familiar; a mansão em Pedra Azul; a participação da escola de samba em eventos de campanha; além do apartamento de luxo comprado por R$ 48 mil e vendido por mais de R$ 2 milhões logo em seguida”, listou.

André Moreira rechaçou a “defesa” de Hartung, na qual insistiu que os ataques são voltados contra a sua família: “A vida privada da maioria das pessoas não tem a ver com a eleição, mas quem se candidata tem a obrigação de ser o mais transparente possível, sobretudo, em um processo eleitoral que exige cada vez mais a honestidade dos candidatos. Hartung passou 12 anos como um político acima de qualquer suspeita, mas hoje ele é um político suspeito. Caso ele não seja julgado neste caso, ele vai se tornar ainda mais suspeito”.

Sobre a atuação do PSOL na formalização das denúncias contra o ex-governador, o candidato disse que a iniciativa deveria partir do governador Renato Casagrande. “Quem deveria entrar com a ação era o candidato adversário, que deveria enfrentar essa situação de frente. Mas diferentemente dos dois candidatos, nós não temos qualquer interesse em uma conciliação após a eleição”, afirmou.

Essa não é a primeira vez que a Justiça Eleitoral é alvo de controvérsia na análise de questões envolvendo o ex-governador. Na última semana, Casagrande convocou uma entrevista coletiva em que criticou a postura dos juízes eleitorais, que estariam impedindo o debate franco entre os candidatos por conta da concessão de vários direitos de respostas a pedido do peemedebista. O governador também criticou a retirada de uma página de apoiadores das redes sociais também após queixa do peemedebista.

PSOL pede impugnação de candidatura

Na representação (196412.2014.608.0000), o partido pediu a quebra do sigilo fiscal de Hartung e da mulher, Cristina Gomes, para apurar a omissão do patrimônio real do candidato. Também foi solicitada a quebra do sigilo bancário da empresa de consultoria Éconos para apurar a suspeita de formação de uma “caixa dois” eleitoral. No entendimento do partido, a omissão dolosa (intencional) dos bens teve o objetivo de enganar os eleitores, além de provocar um desequilíbrio na disputa com os demais candidatos.

Os representantes do PSOL entendem que Hartung seria obrigado a declarar o patrimônio em nome da ex-primeira-dama – tanto no episódio da “mansão secreta” em Pedra Azul, que foi adquirida pelo casal, mas que não consta na lista de bens do ex-governador, como no caso da empresa familiar (PPG Empreendimentos Imobiliários), aberta no final do governo passado para “gerir” os bens herdados pelo peemedebista. As denúncias foram noticiadas com exclusividade por Século Diário e ganharam repercussão na mídia local e nacional.

No caso da “mansão secreta”, o partido concluiu que o imóvel de luxo foi registrado em cartório por R$ 160 mil, mas que “vale visivelmente milhões de reais”. No entendimento dos autores da ação, a reputação de Hartung seria colocada em xeque, caso o patrimônio fosse declarado pelo peemedebista, podendo influenciar assim na disputa. “Pois é impossível alguém cujos bens declarados não chegam a um milhão de reais, e que ocupou cargo de governador, adquirir uma mansão como essa”, afirmam os representantes do PSOL.

Sobre a participação de Hartung no escritório de consultoria Éconos – em parceria com o ex-secretário de Fazenda, José Teófilo de Oliveira –, a sigla denuncia o abuso do poder político e econômico pelo suposto tráfico de influência na defesa de empresas favorecidas pelo governo do Estado, bem como a suspeita de arrecadação antecipada de recursos para campanha eleitoral. Eles citam a revelação da lista de clientes da Éconos, que rendeu R$ 5,8 milhões em pouco mais de três anos de atuação.

Entre os pedidos da ação, o PSOL cobra a declaração da inelegibilidade de Hartung com base em violação à legislação eleitoral. Caso o processo seja julgado após a eleição, a sigla pede o imediato afastamento do cargo e/ou a cassação do diploma – no caso de vitória do peemedebista.

segunda-feira, 15 de setembro de 2014

A principal liderança capixaba da Rede Sustentabilidade

Marina Silva e Gustavo de Biase, do Rede Sustentabilidade. Foto: Divulgação.
O discurso pós-moderno da candidata Marina Silva tem as ideias do sociólogo polonês Zygmunt Bauman como norte. Para Bauman, o mundo hoje vive uma fluidez que, de certa forma, torna nefasto o poder das antigas e tradicionais instituições políticas. Elas seriam pouco flexíveis e desconectadas da atualidade.
Segundo o sociólogo, vivemos uma era de grande individualismo, na qual as pessoas não querem ser importunadas no direito de seguir o caminho que escolheram para alcançar uma paradoxal felicidade. Essa individualização representa o pior inimigo da velha política, formada na ideia de que a cidadania deve ser construída a partir de uma estrutura baseada em partidos.
Marina utiliza as críticas de Bauman à sociedade como um meio estratégico para formar o que ela vem denominando “nova política”. Um conceito que pretende, ao menos no campo teórico, unir individualidades em uma grande rede participativa. Nessa rede os partidos perdem importância e ganham destaque as características individuais dos agentes públicos. A candidata, sendo pós-moderna, tenta se conectar com o mundo atual, fugindo da robustez dos discursos antiquados. Dessa forma, independente de ganhar ou não a eleição, ela tem alcançado o objetivo de formar a Rede Sustentabilidade, que hoje conta com ramificações em diversos estados.
No Espírito Santo, a principal liderança da Rede Sustentabilidade é um jovem político, de apenas 26 anos, cujas ideias a respeito da esfera pública apontam para a direção conceitual do mundo da “nova política”, da qual ele, mesmo por causa da idade, naturalmente faz parte. Gustavo de Biase é formado em Serviço Social pela Universidade Federal do Espírito Santo (Ufes) e se tornou conhecido quando concorreu à prefeitura de Vitória, pelo PSOL, em 2012.
Na época, fez uma campanha cujo desempenho surpreendeu, dando a ele um espaço legítimo no disputado campo da política. Ao se candidatar pelo PSOL teve contato com lideranças de esquerda de todo país. Foi quando conheceu Marina Silva que, posteriormente, o convidaria para ser o porta-voz da Rede Sustentabilidade no estado.
Entre os capixabas, cerca de 20 mil eleitores assinaram a lista que serviria como base legal para que o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) autorizasse a formação do “partido”. No entanto, o TSE não permitiu que a Rede fosse oficializada. Marina acabou por se filiar ao PSB, a convite de Eduardo Campos, e levou seus eventuais correligionários a aderirem ao mesmo partido. Assim, Gustavo de Biase ingressou no PSB e decidiu se candidatar a deputado federal.
Sua campanha tem algumas bandeiras claras, como o fim do pedágio nas rodovias federais e o apoio ao Movimento Passe Livre, que prevê a adoção da gratuidade para o transporte coletivo. No entanto, sua visão política é muito parecida com o que vem sendo pregado por Marina Silva. Ele fala sobre a necessidade de haver uma aproximação com as pessoas fora do contexto partidário, mas de uma forma integrada, que permita um contato direto com as bases. Algo que possibilitaria aos cidadãos se pronunciarem, sem as grandes barreiras hierárquicas que hoje distanciam as pessoas da política.
Essa visão pós-moderna, afinada com o discurso de uma das principais candidatas à presidência da República, tem fortalecido o jovem Gustavo de Biase, que hoje é visto nos meios políticos como um nome em ascensão, com chances de sair vitorioso e conquistar uma vaga na Câmara dos Deputados. Seu grande desafio frente à Rede Sustentabilidade é manter suas ideias sem ceder às pressões e encantamentos da velha política. O mesmo desafio que sua mentora, Marina Silva, terá nos próximos anos. Se vão conseguir, só o tempo dirá.
Sergio Denicoli

Sergio Denicoli 
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sergio@leiase.com.br

Sergio Denicoli é graduado em Jornalismo e em Publicidade, Mestre em Informação e Jornalismo e Doutor em Ciências da Comunicação. Foi professor do curso de comunicação da Universidade do Minho e da Universidade Lusófona do Porto, ambas em Portugal. Iniciou a carreira jornalística na Rádio CBN Vitória, atuou na TV Vitória, TV Gazeta e foi colunista do jornal "A Gazeta", onde escreveu , até 2013, a coluna "Direto da Europa". Publicou na Europa dois livros referentes à comunicação digital e, atualmente, tem se dedicado aos estudos das lógicas de funcionamento e regulação da Internet. Tem uma vasta experiência internacional, tento vivido e atuado como pesquisador em Portugal, Inglaterra, Espanha e Estados Unidos.
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quinta-feira, 11 de setembro de 2014

Esquentou Pressão de Coser para retirar candidatura de Roberto Carlos deixa clima tenso no PT

Manaira Medeiros
11/09/2014 15:57 - Atualizado em 11/09/2014 16:21

 
As pressões do presidente regional e candidato ao Senado do PT, João Coser, para retirar a candidatura ao governo do deputado estadual Roberto Carlos em favor de seu aliado político Paulo Hartung (PMDB), deixaram o clima tenso no partido. Diante dos constantes assédios do ex-prefeito, a interlocução do diretório nacional do partido no Estado foi entregue à sua representante local, deputada federal Iriny Lopes, conhecida por suas posições duras em relação às articulações de Coser, que priorizam projetos pessoais em vez de partidários. A jogada do ex-prefeito tenta eliminar de vez a possibilidade de segundo turno, possível com a melhora no desempenho do candidato petista nesta reta final de campanha. A temeridade de Hartung é que Roberto Carlos conquiste 10% de votos - na última pesquisa Brand/Século, ele apareceu com 2,8%. E tanto o candidato como a militância garantem que vão com unhas e dentes em busca desses votos. Se vingar, já avisaram: no embate com o ex-governador, vão de Renato Casagrande
 
Bateu de frente
Na reunião com o presidente nacional do PT, Rui Falcão, quando Coser propôs a desistência da candidatura própria em troca do apoio à presidente Dilma Rousseff no segundo turno, Roberto Carlos teria reagido energicamente. Disse que não é candidato laranja e, se Hartung pretende apoiar Dilma, que o faça agora.
 
Reincidente
Depois de abandonar o palanque presidencial petista em duas eleições no Estado, não dá para acreditar que Hartung vá abraçar Dilma, hora nenhuma. 

Aliás...
Nem mesmo Coser tem feito campanha para a presidente petista. Quem dirá para Roberto Carlos.
 
Mãos vazias
A seca de dinheiro para os candidatos ao pleito deste ano continua. Principalmente, porque não há mais como doar por debaixo dos panos. Ou seja, o empresário que apostar em um "cavalo" e ele perder, será cobrado depois. Ou enche o bolso de todo mundo, ou nem enche.
 
Em campo
Candidato à Assembleia, o ex-prefeito de Linhares Guerino Zanon (PMDB) disparou para cima de seus adversários em evento realizado no município pelo vereador Fabrício Lopes (PMDB), na noite dessa quarta (10). Sobrou para seu sucessor, Nozinho Correa (PDT), e os concorrentes locais: a vice-prefeita Eliana Dadalto (PTC), o deputado estadual José Carlos Elias (PDT) e o vereador Tarcísio Silva (PSB).
 
Representante
A família do ex-deputado Glauber Coelho quer fazer o vereador Alexandre Bastos (PSB), que está em seu quinto mandato em Cachoeiro, o herdeiro dos votos dele no sul do Estado. Estão em jogo entre 40 e 45 mil votos. Transfere?
 
Na conta de Deus
Em sua propaganda eleitoral na TV, Sônia Bueno, candidata a deputada federal pelo PV, pede votos com uma garantia: “Deus pode te restituir”. Assim é mole.
 
Quanto mais mexe...
O presidente da Convenção das Assembleias de Deus no Estado (Cadeeso), pastor Oscar de Moura, segue empenhado em garantir musculatura para a candidatura a deputado estadual do seu filho e também pastor, Oséias de Moura (PRB). Nos bastidores, circulam denúncias de que pastores têm sido coagidos e ameaçados de punição, caso não ajudem a eleger Oséias. Como, por exemplo, impedir a consagração de obreiros. 
 
Quanto mais mexe II...
Há, inclusive, informações de que o comitê de campanha de Oséias foi instalado dentro da Cadeeso, em Aribiri, Vila Velha. No Facebook, também circularam pedidos para que os fiéis coloquem a imagem de Oséias e do pai na foto do perfil. Oséias foi apresentado como candidato oficial da Cadeeso e das convenções do Rio de Janeiro – Ceader e Comadery -, em agosto passado. Evento em cerimonial de Bento Ferreira, Vitória, foi realizado só para isso.
 
140 toques
“Futebol é uma paixão na cultura brasileira. Mas há aquele que esconde até a camisa pelo qual torce (se torce)”. (Governador Renato Casagrande – PSB – no Twitter).
 
PENSAMENTO:
“A possessão do poder inevitavelmente dilapida o livre uso da razão”. Immanuel Kant

quarta-feira, 10 de setembro de 2014

Casagrande acusa governo Hartung de desvio de dinheiro e privilégios a familiares Em entrevista à TV Guarapari, governador fala sobre as passagens aéreas da ex-primeira-dama, da consultoria do ex-governador e do posto fantasma de Mimoso do Sul

Da Redação
09/09/2014 17:06 - Atualizado em 10/09/2014 09:00

O governador Renato Casagrande, candidato do PSB à reeleição, foi o sabatinado da TV Guarapari na série de entrevistas que a emissora vem fazendo com candidatos ao governo e ao Senado. Na noite dessa segunda-feira (8), o clímax da entrevista do socialista ficou reservado para os três minutos derradeiros do programa, quando o candidato faz suas considerações finais.
 
Casagrande surpreende ao fazer, pela primeira vez, acusações diretas ao candidato do PMDB, o ex-governador Paulo Hartung. Com os olhos enigmaticamente fixados na câmara, Casagrande assegurou que no seu governo não há denúncias de desvio de dinheiro público e tampouco privilégios a familiares. 
 
Acompanhe abaixo os três blocos da entrevista com o candidato Renato Casagrande
 
“No governo passado, há diversas denúncias”. E começou a listar. O governador falou sobre oposto fantasma de Mimoso do Sul, obra que consumiu mais de R$ 25 milhões dos cofres públicos, mas que sequer ultrapassou a fase de terraplanagem. 
 
O socialista denunciou também os valores mensais que a consultoria de Hartung recebia de empresas. Não disse explicitamente, mas se referiu as operações que a consultoria de Hartung fez com empresas ligadas ao seu governo. Conforme reportagem de Século Diário, a Éconos Consultoria, movimentou quase R$ 6 milhões em três anos, logo após Hartung deixar o governo. O ex-governador era sócio no negócio com o ex-secretário de Fazenda, José Teófilo. 
 
 
Casagrande não deixou de fora as viagens da ex-primeira dama Cristina Gomes. “Foram 90 viagens para o Rio e São Paulo, nos finais de semana, pagas com dinheiro público. Essas comparações têm de ser feitas. Não é questão de falar mal ou bem. Quando você vai para uma eleição, compara os candidatos, compara as obras, os serviços prestados e também o compromisso com os recursos públicos”, cutucou. 
 
Em recentes reportagens, Século Diário revelou que a ex-primeira-dama Cristina Gomes viajou, entre os anos de 2005 e 2010, 51 vezes para o Rio e para São Paulo, sem a companhia de Paulo Hartung, fora as outras vezes que viajou para essas duas capitais e para o exterior junto com o marido.
 
 
Do primeiro ao último minuto de entrevista, que durou cerca de 45 minutos, sempre que houve oportunidade, Casagrande comparou o seu governo com o do antecessor. “Em quatro anos de governo, fiz muito mais investimentos que nos oito anos do governo passado. Isso mostra capacidade de planejamento, responsabilidade com o dinheiro púbico”. 
 
Ele também procurou exaltar que investiu em infraestrutura e logística e na área social. “O governo passado cuidava só da economia. Nós conseguimos fazer a aliança do econômico com o social”. 
 
Com a mediação do jornalista Ricardo Conde, da TV Guarapari, Casagrande, além de responder a perguntas da produção do programa, de organizações sociais e de outros candidatos ao governo, foi sabatinado ao vivo pelos jornalistas Sandro Venturini (Rádio Sim) e José Rabelo (Século Diário). 
 
Ainda no primeiro bloco, José Rabelo pediu que o governador apresentasse três motivos para o eleitor indeciso votar nele e não no candidato do PMDB. 
 
Depois de enumerar algumas ações que seu governo fez em Guarapari, Casagrande voltou a repetir que fez muito mais investimentos no município do que o governo passado. E destacou: “Quando você vai votar, faz comparação. Essa eleição é isso. É o meu governo contra o governo passado. O cidadão de Guarapari vai verificar que fiz muito mais em quatro anos do que o governo passado em oito”, repetiu. 
 
O candidato do PSB acrescentou ainda que fez convênios com a Prefeitura de Guarapari, mesmo sem ter o apoio político do prefeito Orly Gomes (DEM). “Não persigo prefeitos”, registrou. “O outro candidato [Paulo Hartung] persegue”. Casagrande lembrou que o então governador Paulo Hartung perseguiu o ex-prefeito Max Filho (PSDB) e Neucimar Fraga (PV). “Vila Velha sofreu oito anos no governo passado”. 
 
Fim da unanimidade
 
No segundo bloco da sabatina, o jornalista de Século Diário pediu para o governador explicar ao eleitor de Guarapari onde termina o governo Hartung e começa o dele, já que havia um pacto de continuidade, que foi quebrado depois que Hartung se declarou candidato. Para evidenciar as semelhanças dos dois projetos, o jornalista perguntou sobre o fato de os principais financiadores de campanha apostarem as fichas nos dois candidatos. 
 
Casagrande disse, olhando com convicção para a câmera. “Eu tenho palavra”. O candidato socialista admitiu que vinha fazendo um governo de continuidade, compartilhado com o governo passado. “Dei sequência às obras e aos projetos. Mas comecei a implantar, sem dizer que estava implantando, um modelo novo de governo, preocupado com a área social”. 
 
Ele deu como exemplo os investimentos na área de segurança. “Quando cheguei ao governo, a segurança estava na UTI”. Casagrande falou também do “vazio” deixado pelo antecessor na área de saúde. “Ficamos 30 anos sem abrir um hospital. 
 
O candidato à reeleição disse que Hartung começou o Hospital Jayme dos Santos Neves no último ano de governo. “O São Lucas também começou no final do governo e de forma errada: de trás pra frente. Isso impediu que inaugurássemos partes do hospital”, criticou.
 
Casagrande disse que seu governo foi bom para Paulo Hartung até junho deste ano. A partir de junho, quando Hartung decidiu entrar na disputa, segundo o socialista, o grupo do antecessor começou a fazer críticas à sua gestão. “Quem tem de explicar posição é o grupo do governo passado. A partir do momento em que passaram a fazer críticas ao meu governo, deixei de ser afirmativo para ser comparativo”, justificou. 
 
Ambição pessoal
 
Durante a entrevista, Casagrande arriscou fazer uma reflexão sobre as causas que teriam levado o ex-governador a romper o pacto da continuidade. “Só pode ser por ambição pessoal. Interesse de retornar com um grupo ao poder para governarem sozinhos”. E acrescentou: “Interesse de se beneficiar de privilégios da administração pública para pessoas ligadas ao governo passado e para familiares dessas pessoas”. 
 
No terceiro e último bloco da entrevista o candidato do PSB analisou o “efeito Marina” na sua campanha. Ele ponderou que o bom desempenho da presidenciável do PSB, que está no “calcanhar” da candidata Dilma (PT), segundo as pesquisas, não vai influenciar diretamente no resultado das eleições para governador. 
 
“A colagem do meu nome ao de Marina é um processo que vai até o final das eleições. Não é fácil criar identidade de uma hora para outra entre lideranças”. Ele disse que o processo eleitoral tem diversas variáveis, e o vínculo com a candidatura nacional é uma dessas variáveis. “Não é essa variável que vai definir o processo eleitoral. Aqui no Estado, eu ajudo Marina e Marina me ajuda. 
 
O governador comentou ainda sobre os apoios clandestinos que caracterizam o palanque do seu adversário. Não chegou a citar nomes, mas fazia, provavelmente, menção ao apoio do ex-governador à candidatura ao Senado de João Coser (PT), em detrimento da candidata do PMDB, Rose de Freitas. 
 
O socialista disse que leva vantagem sobre o adversário porque no seu palanque não há apoios clandestinos. “Isso mostra que tenho ética e coerência”. 
 
Casagrande falou ainda abertamente do abandono de Hartung à candidatura do presidenciável tucano Aécio Neves. “O PSDB fez opção para coligar com o PMDB para dar palanque ao Aécio. Cadê o palanque do Aécio?”, provocou. 
 
Em seguida, sem citar o nome ele cobrou a coordenação política da campanha de Aécio no Estado, que é do senador Ricardo Ferraço (PMDB). “Onde está a coordenação de campanha do Aécio? Tem de ter coerência na hora boa e na ruim. Cadê o candidato do PMDB fazendo campanha para o Aécio”, cutucou. 
 
Em seguida, ainda ironizou: “O Aécio está aí sem palanque, sem nada, perdido”.