quarta-feira, 27 de agosto de 2014

Nomes aos ‘bois’
Ao contrário de Casagrande, que ainda está na fase das indiretas, Gandini entrou na área de luta
Manaira Medeiros
26/08/2014 15:15 - Atualizado em 26/08/2014 15:39

 
Ao contrário do governador Renato Casagrande, que ainda manda recados nas entrelinhas ao seu principal adversário Paulo Hartung (PMDB), o vice em sua chapa, Fabrício Gandini (PPS), parece disposto ao enfrentamento. Por meio de seu Facebook, não tem deixado passar nada em relação ao ex-governador nos últimos dias. Primeiro a história das placas de campanhas destruídas, quando citou nominalmente Hartung e o vice César Colnago, com duras críticas. Agora, soltou os cachorros para cima do presidente do Sindicato dos Médicos do Espírito Santo, Otto Baptista, que nessa segunda-feira (25) organizou uma “vistoria surpresa” no Hospital São Lucas, pedindo a suspensão nos atendimentos. A ação, que ocorre poucos dias antes de Casagrande inaugurar o novo São Lucas, obviamente, rendeu bastante mídia e foi logo explorada por Hartung. Gandini reagiu, protestando nas redes sociais. Divulgou imagem recente, do dia 18 deste mês, de Otto em agenda de campanha ao lado de Hartung e do deputado federal Lelo Coimbra (PMDB). “Cabo eleitoral de Hartung manda fechar o São Lucas? Ele prefere defender o jogo sujo da política do que defender a vida”. O ex-presidente da Câmara de Vitória entrou na área de luta. 
 
Pensou em tudo
Para dar a dimensão que queria ao caso, Otto levou a mídia corporativa junto. O jornal A Gazetadeitou e rolou. 
 
Enquanto isso...
O governador reformulou seu site de campanha à reeleição e mantém, na capa, a seguinte frase: “Casagrande está fechado com Marina e não com certos políticos que mudam de cara e de partido como quem troca a camisa. Casagrande é homem de posições claras e não faz acordos por debaixo do pano”. Falta ser direto.
 
Renegados
Embora da mesma chapa de Hartung, todo mundo sabe que a candidata ao Senado, Rose de Freitas (PMDB), e o candidato a deputado federal Luiz Paulo Vellozo Lucas (PSDB), caminham com as próprias pernas na disputa deste ano. Não à toa, resolveram se unir. Além de cumprirem agenda de campanha juntos, um pede voto para o outro, inclusive nas redes sociais. É a dupla dos renegados.
 
Fora
A confirmação da impugnação da candidatura a deputado estadual do ex-prefeito de São Mateus, Lauriano Zancanela (DEM), representa alívio para os deputados da região, Eustáquio de Freitas (PSB) e Paulo Roberto (PMDB). Com ele no páreo, a disputa seria ainda mais acirrada por lá. Freitas é cotado para levar o pleito, mas sem muita folga.
 
Substituta
Este ano, o município registra muitas candidaturas à Assembleia. Um dos nomes apresentados, também, é o de Jaciara Teixeira (PT), escalada para a missão pelo marido, o vereador Eneas Zanelato (PT). Jacira tem presença forte na área sindical. 
 
Afastado
O deputado estadual Luiz Durão (PDT) está licenciado do mandato na Assembleia Legislativa, por tempo indeterminado. Candidato à reeleição, o que dizem nos bastidores é que o pedido foi feito por motivos de saúde. Em 2012, o pedetista passou um bom período afastado, em decorrência de uma infecção adquirida após cirurgia cardíaca.
 
Abuso
O estacionamento na Curva da Jurema, em Vitória, que fica quase em frente ao McDonald’s, deixou de ser público. A empresa NET, que fica na Avenida Desembargador Santos Neves, decidiu se apropriar do espaço. Todos os dias e noites, ficam ali estacionados mais de 20 veículos da empresa, inclusive nos finais de semana. E aí, Secretaria Municipal de Transportes? 
 
Abuso II
O local, além de ser bastante procurado por banhistas, famílias e adeptos de corridas e caminhadas, é também onde está o Centro Náutico Capixaba, portanto, utilizado para prática de esportes como stand up paddle, canoa havaiana e caiaque. O acesso se tornou complicadíssimo.
 
Nas redes
“Assinamos, no Sindicato dos Bancários, juntamente com nosso vice Wilson Jr., o termo de compromisso do Comitê em Defesa do Banestes Público e Estadual”. (Candidata ao governo Camila Valadão – Psol – no Facebook).
 
PENSAMENTO:
“Você pode usar o charme para atingir seus objetivos, mas o charme não é uma crença, ele não pode te dizer aonde ir”. Bill Clinton

Redes de interesses que envolve Rodo Sol e empresas que financiam campanhas, tem como sócio Paulo Hartung e ex- Secretários de governo.

Empresa de consultoria de Hartung e José Teófilo faturou R$ 5,8 milhões em três anos
Ex-governador fez negócios com sócios da Terceira Ponte, beneficiários de incentivos fiscais da era Hartung, além de grandes projetos que estão se instalando no Estado


O ex-governador Paulo Hartung (PMDB) e o ex-secretário estadual da Fazenda José Teófilo de Oliveira montaram uma consultoria com capital simbólico de R$ 5 mil cada, com o objetivo de atender empresas que haviam sido beneficiadas durante sua gestão à frente do governo do Estado. Em três anos, o "escritório de negócios" recebeu quase R$ 6 milhões, oriundos de beneficiários de incentivos fiscais, empreiteiras com extensa ficha de obras públicas e concessões de serviços públicos prestados ao longo dos oito anos em que comandou o Estado.

A consultoria Éconos – Economia Aplicada aos Negócios Ltda, sociedade entre Paulo Hartung e José Teófilo, atuou como uma extensão dos negócios realizados no governo passado. Entre os anos de 2010 e 2013, a empresa batizada como um “escritório de negócios” faturou R$ 5,8 milhões em serviços prestados para grandes projetos, companhias de comércio exterior e beneficiárias de incentivos fiscais no governo passado, de acordo com documentos oficiais da Prefeitura de Vitória obtidos pela reportagem de Século Diário.

Estão listadas todas as notas fiscais emitidas pela Éconos entre janeiro de 2010 e outubro do ano passado. Nesse período, o escritório de negócios emitiu 364 notas por serviços prestados a 66 pessoas jurídicas, entre elas, empresas ligadas a vários ramos de atividade, sindicatos empresariais e até companhias e órgãos ligados à administração pública. Essa lista de clientes revela a íntima ligação entre o escritório de negócios do ex-governador e atos relacionados à sua própria administração.

Aliás, fica difícil diferenciar onde se encerra um e inicia o outro, em função do curto espaço entre a saída dos dois ex-integrantes do governo e o embarque na empresa. Para isso, basta recorrer à própria história da Éconos. Criada pelo ex-secretário José Teófilo em conjunto com a então esposa Márcia Jaccoud Freitas, que é auditora do Tribunal de Contas do Estado (TCE), a empresa só ganhou fôlego após Teófilo deixar a gestão Hartung, em abril de 2008. Ele saiu do cargo para disputar as eleições como candidato a vice-prefeito de Guarapari na chapa do ex-deputado estadual Rodrigo Chamoun, atual conselheiro do TCE.

Apesar de a chapa ter sido derrotada naquele pleito, o ex-secretário da Fazenda não retornou ao governo e passou a se dedicar exclusivamente aos negócios da Éconos. A entrada de Hartung na empresa de consultoria foi consumada somente no dia 5 de abril de 2011 – pouco depois de quatro meses após a descer as escadarias do Palácio Anchieta pela última vez. A “parceria” durou pouco mais de dois anos, até o dia 4 de julho do ano passado, quando o ex-governador se retirou da sociedade de forma inusitada (veja reprodução da alteração no contrato social abaixo).



Na ocasião, Hartung transferiu as suas cotas na empresa, no valor de R$ 3 mil (30% do capital social, estimado em R$ 10 mil), para o ex-secretário, que figura como administrador da Éconos e atual detentor de 80% das cotas do negócio. Em troca, José Teófilo eximiu o antigo sócio de responder por “toda e qualquer responsabilidade por quaisquer fatos ou atos praticados pela Éconos durante todo o período” em que figurou nos quadros da empresa. Chama atenção que a mesma cláusula também exime de responsabilidade por terceiros, hipótese que é vista por juristas como ilegal, uma vez que o contrato é um instrumento particular restrito às partes.

Talvez a preocupação em livrar o ex-governador de qualquer responsabilidade sobre os negócios da Éconos se relacione às atividades desempenhadas pela empresa. Desde a entrada no mercado de consultorias, a empresa de Paulo Hartung atraiu um leque restrito de clientes – sempre ligados a eventos ocorridos no governo passado ou buscando os “aconselhamentos” do ex-governador em negócios futuros. Somente no período de Hartung entre os sócios, a Éconos faturou R$ 4,35 milhões dos R$ 5,83 milhões listados. Os pagamentos eram mensais e, em alguns casos, transcorrem durante todo o período de funcionamento do escritório de negócios.

Nesse período, os principais clientes da empresa do ex-governador foram a empresa TPK Logística, que pagou R$ 720 mil; Sindicato das Empresas do Comércio Exterior do Estado (Sindiex), R$ 613,7 mil; Cisa Trading, R$ 415 mil; Tristão Companhia de Comércio Exterior, R$ 390 mil; VD Comércio de Veículos Ltda (Vitória Diesel, que pertence ao Grupo Águia Branca), R$ 280 mil; Manabi Logística S/A, R$ 275 mil; Itatiaia Móveis S/A, R$ 265 mil; Nutripetro S/A, R$ 264 mil; além da empreiteira A Madeira Indústria e Comércio Ltda, R$ 168 mil.

Muito embora a natureza das atividades dos clientes seja distinta, todos eles guardam uma semelhança: a ligação com negócios realizados ou iniciados durante a gestão de Hartung no governo. Todos os repasses eram feitos mensalmente pelas empresas. Por exemplo, a Cisa Trading realizou 38 pagamentos à consultoria do ex-governador. Na maior parte dos repasses, o valor cobrado era de R$ 10 mil.

Situação semelhante aos pagamentos realizados pela Concessionária Rodovia do Sol (Rodosol), que fez 16 repasses no total de R$ 160 mil, e a empreiteira A Madeira Indústria e Comércio Ltda, de propriedade de Américo Madeira, um dos sócios da Terceira Ponte, que pagou 19 parcelas de R$ 12 mil mensais, totalizando R$ 228 mil.

Outra empresa que fez repasses mensais à Éconos foi a concessionária de energia elétrica EDP Escelsa, que realizou sete pagamentos no valor de R$ 20 mil cada. Chama atenção que o ex-governador chegou a compor, entre maio de 2012 e março deste ano, o Conselheiro de Administração do grupo EDP – que controla a concessionária –, porém, os pagamentos foram registrados anteriormente entre março de 2010 e dezembro de 2011. Desde o início do ano, Hartung também é investigado pelo Ministério Público Estadual (MPES) por suposto beneficiamento da EDP Escelsa na venda de uma área do Estado por um valor abaixo do preço de marcado, no apagar das luzes de 2008.

Ligações perigosas

Esse tipo de ligação entre atos do governo passado e o negócio privado de Hartung após deixar o governo fica clara na análise de seus principais clientes. A primeira empresa da lista, a TPK Logística é responsável pelo projeto do Porto Central, em Presidente Kennedy (litoral sul do Estado). Esse mesmo projeto já teve a digital de pessoas ligadas a Hartung – e da própria Éconos, antes da entrada do peemedebista na sociedade – na transação milionária de compra e venda de terrenos para a instalação do projeto siderúrgico da Ferrous Resources no município.

Hoje, o principal dirigente do Porto Central é o José Maria Vieira Novaes, que divide o capital societário da ZMM Empreendimentos com o irmão, o ex-vereador Marcus Vivacqua. Pelas mãos do peemedebista, a Ferrous recebeu incentivos fiscais para instalar um complexo siderúrgico e portuário. Na mesma época, a empresa contratou a ZMM e a Éconos para fazer a intermediação na compra de terrenos no município. Somente as operações renderam um total de R$ 121,6 milhões às empresas envolvidas no negócio.

Esse não é o único caso onde a relação com os principais escândalos da Era Hartung é direta com as consultorias prestadas por seu escritório. Também figura na lista de clientes a Engenharia e Construtora Araribóia, responsável pelas obras do posto fantasma de Mimoso do Sul. A empreiteira fez sete pagamento à consultoria, totalizando R$ 70 mil. Por conta das obras, o ex-governador e mais sete ex-integrantes de seu governo respondem a uma ação de improbidade administrativa na Justiça por “torrarem cerca de R$ 25 milhões” por obras que não saíram da fase de terraplanagem.

Os episódios dos incentivos fiscais também não poderiam ficar de fora dessa relação. As empresas Tristão Companhia de Comércio Exterior (controladora da Realcafé) e Cisa Trading – que pertence aos grupos Comvix, do empresário Antônio Pargana; e Coimex, de Otacílio Coser – aparecem entre os beneficiários da política no governo passado.

No caso da concessionária Vitória Diesel, pertencente ao grupo Águia Branca, mesmo com a concentração dos negócios do conglomerado na área de transportes, ele atuou na compra de terras para implantação da Companhia Siderúrgica de Ubu (CSU), em Anchieta. Juntas essas três empresas contrataram mais de R$ 1 milhão em serviços da empresa do ex-governador.

Além disso, a Éconos também foi contratada para dar consultoria a empresas que pretendiam instalar projetos no Estado, como a Manabi Logística e a Nutripetro, que pretende construir portos nos municípios de Linhares e Aracruz, ambos no litoral norte capixaba, respectivamente.

Outra empresa de destaque na lista de clientes da Éconos foi a Itatiaia Móveis, que inaugurou uma fábrica de móveis em Sooretama este ano. Os repasses mensais começaram em abril de 2011 e foram até maio do ano seguinte, totalizando R$ 265 mil. Coincidentemente, a consultoria teve início um mês antes do anúncio de formalização do projeto, que recebeu os incentivos do governo estadual – já pela atual administração.

Rede de interesses

A pasta de Desenvolvimento concentra a liberação dos benefícios, bem como atua na interlocução entre o Estado e os setores produtivos, já que em alguns casos, o governo assume o papel de parceiro, facilitando a desapropriação de áreas e até a concessão de licenças ambientais. Esse papel estratégico da pasta vai ao encontro de pagamentos feitos à consultoria de Hartung pela principal entidade do setor de comércio exterior. Ao longo dos três anos, o Sindiex pagou à Éconos um total de R$ 613,7 mil, registrados em 71 notas fiscais.

Na lista de clientes da Éconos figuram outras empresas do setor, como: Cyber Armazéns e Logística S/A, R$ 151,1 mil; Vitcos - Comércio de Cosméticos Ltda, R$ 60 mil; Perfilados Rio Doce, R$ 45,5 mil; Garra Importadora e Logística, R$ 25 mil; Maq Lar Refrigeração, R$ 22 mil; Excim Importação e Exportação, R$ 20 mil; Delalux Logística, Importação e Exportação e Price Importação, Comércio e Exportação Ltda, R$ 15 mil; Log Trading & Supply Chain Ltda, R$ 12 mil; CMPC Celulose Riograndense, R$ 8 mil; e Lodisa Logística e Distribuição S/A, R$ 6 mil.

O setor de comércio exterior não foi o único que recorreu ao escritório de negócios do ex-governador. Vários sindicatos e entidades de empresários aparecem no rol de pagamentos da Éconos: Sindicato das Empresas de Transporte de Passageiros do Espírito Santo (Setpes), que repassou R$ R$ 148 mil; Sindicato das Empresas de Transporte Metropolitano da Grande Vitória (GV BUS), R$ 50 mil; Sindicato das Indústrias de Rochas Ornamentais (Sindirochas), R$ 30 mil; Associação dos Comerciantes de Material de Construção (Acomac-ES), R$ 15 mil; Associação Empresários da Serra (Ases), R$ 15 mil; Sindicato do Comércio Distribuidor e Atacadista (Sincades), R$ 15 mil; Associação Empresários de Vila Velha (Asevila), R$ 13 mil; Sicoob Credirochas, R$ 12 mil; e Sindicato dos Corretores de Imóveis do Estado, R$ 11,9 mil.

segunda-feira, 25 de agosto de 2014

Candidatura de Marina Silva divide apoio evangélico

25/08/2014 às 8h12 (Atualizado em 25/08/2014 às 8h50)
Estadão Conteúdo
Redação Folha Vitória 


 A entrada de Marina Silva (PSB) como candidata à Presidência da República está redesenhando o cenário eleitoral entre os evangélicos
Foto: Divulgação
Brasília - A entrada de Marina Silva (PSB) como candidata à Presidência da República está redesenhando o cenário eleitoral entre os evangélicos, grupo que representa 20% do eleitorado. Devota da Assembleia de Deus, Marina passou a atrair o apoio de líderes evangélicos antes alinhados com o Pastor Everaldo (PSC), quarto colocado nas pesquisas. No novo contexto, quem mais tende a perder apoio das lideranças evangélicas é a presidente Dilma Rousseff.
Com templos em cerca de 500 municípios brasileiros, a Igreja Fonte da Vida é comandada pelo Apóstolo César Augusto, que integrou um grupo de apoio a Dilma em 2010. "O quadro mudou muito. As nossas expectativas não foram supridas. Houve um desgaste com relação ao governo do PT", afirmou o apóstolo, que dava como praticamente certo o apoio ao Pastor Everaldo até a morte do ex-governador Eduardo Campos, então candidato à Presidência pelo PSB, em um acidente aéreo no dia 13. "Eu represento dois milhões de pessoas e, dos líderes que tenho contato, a tendência é que talvez 80% migrem para a Marina", avaliou.
No coro contra Dilma, destaca-se Silas Malafaia, líder da Assembleia de Deus Vitória em Cristo. Ex-aliado de Lula, ele se diz perseguido pelo governo petista desde que pediu a prisão dos condenados no processo do mensalão em um evento religioso, há dois anos, em Brasília.
O pastor, que apoiou José Serra em 2010, também afirma ter outros motivos para fazer propaganda contra Dilma. "O PT pensa que nós somos otários e não estamos monitorando o que eles estão fazendo. Tudo que é lixo moral, o PT apoia", criticou, ao dizer que boa parte da legenda é a favor do casamento entre pessoas do mesmo sexo.
Em guerra contra Dilma, Malafaia vai fazer campanha para Pastor Everaldo, mas diz que recebeu bem a entrada da ex-ministra do Meio Ambiente na disputa. "Se a Marina for para o segundo turno contra Dilma, eu vou de cabeça com Marina", afirmou.
Em 2010, Dilma conseguiu o apoio de grande parte dos líderes religiosos após fechar um acordo em que se comprometia a não trabalhar pessoalmente no avanço de temas como aborto e casamento gay, que ficariam a cargo do Congresso. Neste ano, ainda não houve uma definição oficial no programa da candidata a respeito de temas desse tipo. Mas, nem mesmo a presença da presidente em eventos e templos religiosos tem dado retorno.
No início do mês, ela esteve em uma igreja em São Paulo da Assembleia de Deus, maior congregação evangélica do País, com mais de 12 milhões de fiéis. Entretanto, o presidente da Convenção Nacional das Assembleias de Deus no Brasil, Bispo Manoel Ferreira, que recepcionou Dilma no encontro e participou de sua coordenação de campanha em 2010, está com Pastor Everaldo e será uma das atrações da propaganda eleitoral do candidato.
Uma semana antes, Dilma participara da inauguração do Templo de Salomão em São Paulo, ao lado do chefe da Igreja Universal do Reino de Deus, Edir Macedo, que foi um de seus aliados nas últimas eleições. A igreja informou que vai se abster de apoiar qualquer partido e seus respectivos candidatos.
Entre os líderes ouvidos, o único que ainda não tem posição definida é Robson Rodovalho. O bispo comanda a Sara Nossa Terra, que tem mais de mil igrejas espalhadas em todos os estados do País. Em 2010, ele apoiou Dilma Rousseff, mas agora diz estar desapontado com o partido da presidente.
"O PT perdeu muita credibilidade com os parceiros, não só os religiosos. Uma pessoa (Dilma) faz um acordo, e os outros (membros do partido) não assinam embaixo", criticou. Sobre a presença de Marina na disputa, Rodovalho disse que será bom para os evangélicos se houver "um bom diálogo com ela".
Com forte atuação na região Norte, o apóstolo Renê Terra Nova, do Ministério Internacional da Restauração, vai manter a linha adotada nas últimas eleições, quando apoiou Marina Silva. Por sua vez, o chefe da Igreja do Evangelho Quadrangular, Mário de Oliveira, que apoiou Dilma em 2010, agora faz campanha com Pastor Everaldo e diz que vai "indicar o voto aos fiéis". As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

sexta-feira, 15 de agosto de 2014

Caixa-preta do avião de Campos não registra áudio do acidente






Por Pedro Parisi | Valor
BRASÍLIA  -  
A caixa-preta do avião que caiu com o ex-governador Eduardo Campos não registrou áudio no dia do acidente. Em nota, a Força Aérea Brasileira (FAB) informou que as gravações encontradas no gravador de voz são de outra data.

Consta da nota que ainda não é possível determinar com precisão a data dos diálogos registrados, nem a razão pela qual o áudio obtido não corresponde ao dia da queda. A FAB informa também que vai investigar por que a aeronave não gravou as informações do voo.
Segundo a Aeronáutica, a falta dessas informações não será determinante para esclarecer as causas da tragédia. “É importante ressaltar que os dados obtidos no gravador de voz representam apenas um dos elementos levados em consideração durante o processo de investigação, não sendo imprescindíveis para a identificação dos possíveis fatores contribuintes”, informou.




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quarta-feira, 13 de agosto de 2014

Eduardo Campos morreu no mesmo dia do avô Miguel Arraes

13/08/2014 13h08 - Atualizado em 13/08/2014 14h27

Candidato do PSB à Presidência morreu em queda de jato particular.
Arraes morreu de infecção generalizada em 13 de agosto de 2005.

Do G1, em São Paulo
Novembro de 1987 - Eduardo Campos (esq.) deixa a casa do deputado Ulysses Guimarães em São Paulo ao lado de seu avô, o então governador do Pernambuco, Miguel Arraes (centro) (Foto: Newton Aguiar/Estadão Conteúdo/Arquivo)Em 1987, Eduardo Campos (esq.) deixa a casa do deputado Ulysses Guimarães em São Paulo ao lado de seu avô, o então governador do Pernambuco, Miguel Arraes (centro) (Foto: Newton Aguiar/Estadão Conteúdo/Arquivo)
 
O candidato a presidente do PSB, o ex-governador de Pernambuco Eduardo Campos, morreu na manhã desta quarta-feira (13) após a queda do jato particular em que viajava em um bairro residencial em Santos, no litoral paulista. Campos tinha 49 anos e morreu no mesmo dia que seu avô, Miguel Arraes, que também foi governador de Pernambuco. Arraes morreu de infecção generalizada em 13 de agosto de 2005.
Miguel Arraes de Alencar, de 88 anos, nasceu em Araripe, no Ceará. Filho de pequenos agricultores, estudou direito no Rio de Janeiro, mas concluiu o curso no Recife. Começou a carreira política em 1947, como secretário da Fazenda de Pernambuco. Três anos depois, foi eleito deputado estadual pelo Partido Social Democrático.
Assumiu novamente a secretaria da Fazenda em 1959 e, no mesmo ano, venceu as eleições para a prefeitura do Recife. Miguel Arraes chegou ao governo de Pernambuco em 1962, com o apoio do partido comunista brasileiro. Ele foi responsável, por exemplo, pelo acordo do campo, uma negociação entre os cortadores de cana de açúcar e os usineiros, que criou um salário acima do mínimo para os trabalhadores rurais.
Em 1964, Arraes foi cassado e preso pelos militares e se exilou na Argélia. Só voltou ao Brasil em 1979 com a lei da anistia. Em 1982, foi eleito deputado federal. Quatro anos depois, governador de Pernambuco, pela segunda vez. Em 1990, deixou o PMDB e criou o Partido Socialista Brasileiro. De 1994 a 1998 governou o estado de Pernambuco, pela terceira vez.
Campos ao lado do avô, Miguel Arraes, em 1986 (Foto: Arquivo pessoal)Campos ao lado do avô, Miguel Arraes, em 1986 (Foto: Arquivo pessoal)
Novembro de 2002 - O presidente do PSB, Miguel Arraes (dir.) e seu neto, o deputado Eduardo Campos, após reunião da executiva do PSB, que definiu a posição da legenda em posição do governo do PT, na sede do partido, em Brasília (Foto: Rafael Neddemermeyer/Estadão Conteúdo)Em novembro de 2002, o presidente do PSB, Miguel Arraes (dir.) e seu neto, o deputado Eduardo Campos, após reunião da executiva do PSB, que definiu a posição da legenda em posição do governo do PT, na sede do partido, em Brasília (Foto: Rafael Neddemermeyer/Estadão Conteúdo)

'Campanha clandestina' de Coser repercute negativamente entre militância petista


No perfil do candidato no Facebook, militantes reprovaram a infidelidade do petista, que aparece ao lado de Paulo Hartung, aliado de Aécio.
José Rabelo
12/08/2014 16:13 - Atualizado em 12/08/2014 18:20

A militância petista não engoliu a infidelidade do candidato ao Senado, João Coser, que aceitou subir no palanque de Sérgio Vidigal (PDT) ao lado de Paulo Hartung (PMDB). A idiossincrasia aconteceu no último sábado (9), na Serra, na ocasião do lançamento da campanha de Vidigal à Câmara dos Deputados. Convidados de honra e candidatos do ex-prefeito serrano: Hartung e Coser. 
 
Justificando que o PDT é coligado com o PT, Coser não viu problema algum em participar do evento ao lado de Hartung — adversário declarado do PT e palanque de Aécio Neves no Estado. Muito ao contrário, o petista avaliou o convite de Vidigal como uma ótima oportunidade para angariar votos para sua candidatura e ganhar um aliado de peso na Serra.
 
 
Coser tratou o “palanque clandestino” com naturalidade. Tanto que no seu perfil oficial de campanha no Facebook, o candidato não teve “pudor” em postar fotos do evento de campanha de Vidigal. Nas imagens o ex-prefeito de Vitória aparece ao lado do pedetista e do ex-governador. 
 
Além das imagens, que dizem tudo, o petista também não economizou elogios ao candidato do PMDB. O candidato do partido ao governo, Roberto Carlos, que deveria ficar possesso com a infidelidade, tentou amenizar o movimento paradoxal do colega petista. 
 
Em entrevista à Rádio CBN-Vitória, nesta terça-feira (12), Roberto Carlos afirmou que não se sentia constrangido com a “pulada de cerca” de Coser. Ele disse compreender a necessidade do candidato ao Senado de buscar apoio em todos os palanques que lhe abrirem as portas, independente da coloração partidária. 
 
Se Roberto Carlos assimilou bem a chapa clandestina Hartung-Coser, a militância parece não compartilhar da mesma opinião. Abaixo das postagens das fotos, no perfil de Coser, o ex-prefeito foi criticado duramente por militantes do partido, que se mostraram indignados com a “campanha camaleão” do petista. 
 
O militante Carlos Rabelo se disse envergonhado com o posicionamento do candidato. “Pô João, cê deve estar devendo muito pro Hartung. Não consegue imaginar a vergonha que uma foto dessas traz aos militantes (verdadeiros, não os comprados) do PT? E a sua vergonha, João, onde foi parar?”
 
Beatriz De Broutelles, outra militante, dispara: “O senhor é uma vergonha pro nosso PT”. Tania Fer cobrou até a identidade do partido até nas cores. “Descaracterizou até nas cores, não me representa”. 
 
Raniere Gomes Souza fez uma análise mais completa sobre a movimentação de Coser ao lado de Hartung. “O cenário atual da política do ES foi estrategicamente montado para favorecer Hartung, muitos votos serão divididos entre Casagrande e Roberto Carlos, enquanto isso, essa coligação que apóia Hartung, a mesma que apóia Aécio, diga-se de passagem, ri à toa!!!!!!! Realmente é lamentável essa falta de fidelidade ao próprio partido... Subir no palanque ao lado de Hartung não combina com um candidato do PT. Esse PT ‘vaselina’ não pode existir...Lamentável!”.

Governo Hartung gastou R$ 83 mil com viagens da primeira-dama Cristina Gomes


Documentos oficiais revelam que a mulher do ex-governador Paulo Hartung utilizou mais de 60 passagens aéreas, além de diárias em hotéis de luxo. Tudo pago com dinheiro público
Nerter Samora
12/08/2014 16:31 - Atualizado em 12/08/2014 20:14

O governo do Estado bancou R$ 83,7 mil em gastos com viagens da ex-primeira-dama do Estado, a psicóloga Cristina Gomes, mulher de Paulo Hartung (PMDB), entre os anos de 2007 e 2010. Essas informações fazem parte do Ofício SEG nº 79/2014, o qual a reportagem de Século Diário teve acesso após a polêmica sobre o sumiço do documento na Assembleia Legislativa. Ao todo, a então primeira-dama utilizou 63 passagens aéreas – para destinos nacionais e internacionais –, além de 20 registros de hospedagem em hotéis de luxo, localizados em bairros nobres de São Paulo e Rio de Janeiro.
Todas essas informações constam do relatório encaminhado pelo secretário estadual de Governo, Samir Furtado Nemer, em resposta ao requerimento de informações formulado pelo deputado Sandro Locutor (PPS), que também pediu informações sobre os gastos da atual primeira-dama, Maria Virgínia Casagrande. Entretanto, os gastos com viagens referentes à mulher de Renato Casagrande representam apenas 0,38% do que a mulher de Hartung gastou. O documento informa que Virgínia utilizou duas passagens aéreas – no trecho Vitória – São Paulo (Congonhas). A viagem ocorreu entre os dias 26 e 29 de setembro do ano passado. O valor pago pelo Estado foi de R$ 282,98.
 
Já a ex-primeira-dama passou boa parte do governo Hartung voando. Segundo o documento, as cidades de São Paulo e Rio de Janeiro foram os principais destinos de Cristina Gomes, que realizou 59 viagens custeadas pelo Estado – sendo 33 trechos entre Vitória e os três aeroportos em solo paulista (Congonhas; Guarulhos; e Viracopos, em Campinas – este último, a aproximadamente uma hora e meia de São Paulo) e 26 voos com destino ao Rio de Janeiro (com destino final nos aeroportos do Galeão e Santos Dumont).
 
O relatório não indica a motivação das viagens, como explica no texto o secretário-chefe da Casa Militar, coronel Helovio Brostel Andrade –, porém, a maior parte das viagens foi registrada na proximidade dos finais de semanas, geralmente em intervalos de dois ou três dias – embarque na quinta-feira e retorno no domingo. No período de quatro anos, a ex-primeira-dama realizou apenas uma viagem para Brasília. Somadas, todas as passagens nacionais totalizaram um gasto de R$ 26.337,50.
 
Além das passagens aéreas, o governo do Estado também arcou com gastos com hospedagem em hotéis de luxo nas duas cidades – todas as instalações com quatro estrelas, no mínimo. Entre 2007 e 2010, Cristina Gomes se hospedou nos endereços mais nobres da capital paulista, como o tradicional Hotel Transamérica e o Caesar Business São Paulo, localizado na famosa Avenida Brigadeiro Faria Lima. No Rio de Janeiro, a ex-primeira-dama optou por hotéis na zona sul, como o Renaissance (JW Marriott), na orla de Copacabana; no Promenade, na Barra da Tijuca; e no Marina All Suítes, na Avenida Delfim Moreira no Leblon. Ao todo, o Estado pagou R$ 9.639,30 em diárias que, em alguns casos, não têm relação direta com os registros de passagens aéreas.
 
Entretanto, os maiores gastos com passagens aéreas foram registrados em três viagens internacionais da então primeira-dama do Estado. No ano de 2008, a mulher de Hartung realizou duas viagens “oficiais”: uma para Cingapura, acompanhando a comitiva oficial que visitou as instalações do estaleiro Jurong, em maio daquele ano; e outra para a cidade de Colônia, na Alemanha, durante o 26º Encontro Econômico Brasil-Alemanha, em agosto seguinte.
 
A primeira viagem custou aos cofres públicos R$ 21.969,46 em passagens, enquanto a segunda foi mais “modesta” – ao custo de R$ 11.099,72.  O trecho Vitória-Cingapura-Vitória, que custou cerca de R$ 22 mil, sai pela mesma empresa por R$ 5.062. O documento não detalha qual a classe utilizado pela ex-primeira-dama. A viagem para Colônia, na Alemanha, também saiu bem acima do preço mercado, pelo menos considerando a tarifa pela classe executiva. A reportagem pesquisou o valor do trecho - Vitória-São Paulo-Frankfurt-Colônia, com retorno, Berlim-Frankfurt-São Paulo Vitória, na mesma época do ano em que Cristina Gomes viajou. O mesmo trecho, em valores atuais, pela mesma empresa, custa R$ 4.369.
 
Chama atenção que o encontro bilateral foi realizado entre os dias 24 a 26 de agosto na cidade alemã, mas o documento do governo informa que a viagem durou entre o dia 22 e 31 daquele mês – isto é, a data de embarque e desembarque no Aeroporto de Vitória. Consta que o voo da ex-primeira-dama fez escalas em São Paulo, Berlim e Frankfurt.
 
Em fevereiro de 2010, Cristina Gomes realizou a terceira – e última – viagem internacional com recursos públicos. Os destinos foram as cidades americanas de Houston e de Nova Iorque. Consta que a viagem da ex-primeira-dama teve início no dia 13, quando embarcou de Vitória para o Rio de Janeiro. Dois dias depois ela embarcou do Aeroporto do Galeão (GIG) para os Estados Unidos. A partir deste momento, o relatório do governo não indica a “movimentação” da mulher de Hartung em solo americano. O próximo registro é a viagem de retorno, a partir de Nova Iorque para Vitória. Essa última viagem custou exatos R$ 14.788,70 aos cofres públicos em passagens aéreas.
 
No requerimento de informações, o deputado Sandro Locutor solicitou informações referentes às despesas entre 2003 e 2014, porém, o governo não apresentou as informações anteriores ao ano de 2007. De acordo com o coronel Helvio Andrade, todos os registros das despesas com passagens aéreas de Cristina Gomes entre 2003 a 2006 foram “legalmente eliminadas” – ou seja, destruídos.