quarta-feira, 13 de agosto de 2014

Governo Hartung gastou R$ 83 mil com viagens da primeira-dama Cristina Gomes


Documentos oficiais revelam que a mulher do ex-governador Paulo Hartung utilizou mais de 60 passagens aéreas, além de diárias em hotéis de luxo. Tudo pago com dinheiro público
Nerter Samora
12/08/2014 16:31 - Atualizado em 12/08/2014 20:14

O governo do Estado bancou R$ 83,7 mil em gastos com viagens da ex-primeira-dama do Estado, a psicóloga Cristina Gomes, mulher de Paulo Hartung (PMDB), entre os anos de 2007 e 2010. Essas informações fazem parte do Ofício SEG nº 79/2014, o qual a reportagem de Século Diário teve acesso após a polêmica sobre o sumiço do documento na Assembleia Legislativa. Ao todo, a então primeira-dama utilizou 63 passagens aéreas – para destinos nacionais e internacionais –, além de 20 registros de hospedagem em hotéis de luxo, localizados em bairros nobres de São Paulo e Rio de Janeiro.
Todas essas informações constam do relatório encaminhado pelo secretário estadual de Governo, Samir Furtado Nemer, em resposta ao requerimento de informações formulado pelo deputado Sandro Locutor (PPS), que também pediu informações sobre os gastos da atual primeira-dama, Maria Virgínia Casagrande. Entretanto, os gastos com viagens referentes à mulher de Renato Casagrande representam apenas 0,38% do que a mulher de Hartung gastou. O documento informa que Virgínia utilizou duas passagens aéreas – no trecho Vitória – São Paulo (Congonhas). A viagem ocorreu entre os dias 26 e 29 de setembro do ano passado. O valor pago pelo Estado foi de R$ 282,98.
 
Já a ex-primeira-dama passou boa parte do governo Hartung voando. Segundo o documento, as cidades de São Paulo e Rio de Janeiro foram os principais destinos de Cristina Gomes, que realizou 59 viagens custeadas pelo Estado – sendo 33 trechos entre Vitória e os três aeroportos em solo paulista (Congonhas; Guarulhos; e Viracopos, em Campinas – este último, a aproximadamente uma hora e meia de São Paulo) e 26 voos com destino ao Rio de Janeiro (com destino final nos aeroportos do Galeão e Santos Dumont).
 
O relatório não indica a motivação das viagens, como explica no texto o secretário-chefe da Casa Militar, coronel Helovio Brostel Andrade –, porém, a maior parte das viagens foi registrada na proximidade dos finais de semanas, geralmente em intervalos de dois ou três dias – embarque na quinta-feira e retorno no domingo. No período de quatro anos, a ex-primeira-dama realizou apenas uma viagem para Brasília. Somadas, todas as passagens nacionais totalizaram um gasto de R$ 26.337,50.
 
Além das passagens aéreas, o governo do Estado também arcou com gastos com hospedagem em hotéis de luxo nas duas cidades – todas as instalações com quatro estrelas, no mínimo. Entre 2007 e 2010, Cristina Gomes se hospedou nos endereços mais nobres da capital paulista, como o tradicional Hotel Transamérica e o Caesar Business São Paulo, localizado na famosa Avenida Brigadeiro Faria Lima. No Rio de Janeiro, a ex-primeira-dama optou por hotéis na zona sul, como o Renaissance (JW Marriott), na orla de Copacabana; no Promenade, na Barra da Tijuca; e no Marina All Suítes, na Avenida Delfim Moreira no Leblon. Ao todo, o Estado pagou R$ 9.639,30 em diárias que, em alguns casos, não têm relação direta com os registros de passagens aéreas.
 
Entretanto, os maiores gastos com passagens aéreas foram registrados em três viagens internacionais da então primeira-dama do Estado. No ano de 2008, a mulher de Hartung realizou duas viagens “oficiais”: uma para Cingapura, acompanhando a comitiva oficial que visitou as instalações do estaleiro Jurong, em maio daquele ano; e outra para a cidade de Colônia, na Alemanha, durante o 26º Encontro Econômico Brasil-Alemanha, em agosto seguinte.
 
A primeira viagem custou aos cofres públicos R$ 21.969,46 em passagens, enquanto a segunda foi mais “modesta” – ao custo de R$ 11.099,72.  O trecho Vitória-Cingapura-Vitória, que custou cerca de R$ 22 mil, sai pela mesma empresa por R$ 5.062. O documento não detalha qual a classe utilizado pela ex-primeira-dama. A viagem para Colônia, na Alemanha, também saiu bem acima do preço mercado, pelo menos considerando a tarifa pela classe executiva. A reportagem pesquisou o valor do trecho - Vitória-São Paulo-Frankfurt-Colônia, com retorno, Berlim-Frankfurt-São Paulo Vitória, na mesma época do ano em que Cristina Gomes viajou. O mesmo trecho, em valores atuais, pela mesma empresa, custa R$ 4.369.
 
Chama atenção que o encontro bilateral foi realizado entre os dias 24 a 26 de agosto na cidade alemã, mas o documento do governo informa que a viagem durou entre o dia 22 e 31 daquele mês – isto é, a data de embarque e desembarque no Aeroporto de Vitória. Consta que o voo da ex-primeira-dama fez escalas em São Paulo, Berlim e Frankfurt.
 
Em fevereiro de 2010, Cristina Gomes realizou a terceira – e última – viagem internacional com recursos públicos. Os destinos foram as cidades americanas de Houston e de Nova Iorque. Consta que a viagem da ex-primeira-dama teve início no dia 13, quando embarcou de Vitória para o Rio de Janeiro. Dois dias depois ela embarcou do Aeroporto do Galeão (GIG) para os Estados Unidos. A partir deste momento, o relatório do governo não indica a “movimentação” da mulher de Hartung em solo americano. O próximo registro é a viagem de retorno, a partir de Nova Iorque para Vitória. Essa última viagem custou exatos R$ 14.788,70 aos cofres públicos em passagens aéreas.
 
No requerimento de informações, o deputado Sandro Locutor solicitou informações referentes às despesas entre 2003 e 2014, porém, o governo não apresentou as informações anteriores ao ano de 2007. De acordo com o coronel Helvio Andrade, todos os registros das despesas com passagens aéreas de Cristina Gomes entre 2003 a 2006 foram “legalmente eliminadas” – ou seja, destruídos.

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